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afonsonunes

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18 Ago, 2014

BOA MAMÃ

 

 

Mamã é mamã, logo, tem de estar sempre do lado filho, sejam quais forem as contrariedades que o aflijam. E a mamã não é fã do parceiro do filho. Não admira, pois o filho também não é fã do parceiro.

Acontece que a mamã tem outros filhos, todos diferentes, daí que não pudesse estar do lado dos filhos todos, em matéria de política. Mas, não pode com Sócrates, coisa que este filho também secunda.

Aliás, a mamã, que viveu sempre no ambiente bancário, tinha necessariamente de estar do lado do filho mais badalado. Daquele que tinha a virtude de arranjar parceiros mais importantes.

Mas, obrigação a quanto obrigas. O filho, tal como o parceiro, e agora a mamã do filho, sempre que se aproximam eleições vão ressuscitar o homem do Freeport, já que não podem falar de submarinos.

A mamã do filho está convencida de que Sócrates não está morto para a política. Oh minha ilustre senhora… Não está ele nem o seu filho, nem o seu parceiro, nem toda a seleta companhia deles. 

Todos eles estão bem vivos, tal como a senhora mamã do filho. Obviamente que, nos seus desejos e nos deles, só Sócrates devia estar morto. Mas que crueldade! Morto, só para lhe rezar pela alma?

Estou quase a inclinar-me para a teoria das narrativas. Ou das lendas e narrativas. Gosto particularmente de boas narrativas, feitas com seriedade e baseadas na realidade dos factos. As outras são lendas.

Já é tempo das mães, dos filhos, dos parceiros, de toda a família, não se deixar embrulhar em lendas, algumas bem recentes, em lugar de tentar propalá-las, tendo em vista destruir as boas narrativas.

Porque as há. Assim houvesse a coragem e a vontade de as ler, ou de as ouvir. É verdade que, de todos os que se dispõem a narrar, poucos são os que se aproveitam. Mas, há sempre alguns menos maus.