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afonsonunes

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07 Mai, 2014

BRINCADEIRAS

 

 

O país não está tão mal como se diz por aí. Aliás, neste país de gente que não sabe o que diz nem o que faz, nem é preciso pensar duas vezes para reconhecer duas verdades distintas neste panorama.

Aqueles para quem a situação é exemplar, consideram-se os únicos esclarecidos, os únicos que podem falar com a certeza de que preveem tudo de bom para os portugueses. Não sabem o que dizem.

Aqueles para quem a situação é deplorável e corre ainda o risco de se agravar mais, justificam os seus vaticínios com os dados e números que o tempo vem mostrando. Obviamente, não sabem o que dizem.

Em boa verdade, todos sabem o que dizem e todos sabem porque o dizem. Acima de tudo sabem o que fazem. Uns por convicção, outros em defesa dos seus interesses. Há espertos burros e burros espertos.

Até há quem pense que estes últimos dias de festa e comemoração dos partidos da coligação, já submeteram os seus críticos ao mais humilhante ato de contrição pelos seus desvios de análise e crítica.

Já há quem pense que andam envergonhados e arrependidos, de cabeça baixa, por terem perdido a guerra contra o governo. Já estão a vê-los de rastos ou prostrados no chão a pedir desculpa pelos erros.

Ainda ninguém perdeu guerra nenhuma, tal como ninguém ainda a ganhou. Aliás, nem sequer há guerra nenhuma. Mas há guerreiros que pensam ir de vitória em vitória. Talvez até à derrota final.

Os triunfalistas dos partidos da coligação sabem que os seus dissidentes, ou os seus críticos internos, que são muitos, ainda não se envergonharam do que têm dito e feito. Logo, ainda não desistiram.

Não desistiram do partido, nem desistiram de tentar torná-lo melhor do que tem sido. Se alguém tem motivos para estar envergonhado, são os que não pensam pela sua cabeça e não falam pela sua boca.     

Provavelmente, até pode haver um ou outro visivelmente mais tendente a sofrer de partidarite aguda. Com esses não é necessário ter cuidados especiais. Falam muito. Mas eles calar-se-ão.