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afonsonunes

afonsonunes

19 Jan, 2016

Cada vez mais

 

Por mais que alguns dos maiores responsáveis políticos nos tentem contrariar, a independência é cada vez mais uma raridade, tanto na esquerda como na direita. E cada vez mais os dois lados se radicalizam.

A direita com o poder do dinheiro do seu lado, a esquerda com as dificuldades da falta dele. A direita diz-se protetora dos mais desfavorecidos mas, na realidade, cada vez são mais os seus protegidos.

Para a direita, a proteção aos mais pobres, faz-se através de instituições de solidariedade comparticipadas. Ou seja, os pobres só têm direito a ser protegidos com esmolas de alimentação e roupas. Só para sobrevivência.

Depois, a direita apela muito à solidariedade de todos os cidadãos para que os males da miséria sejam atenuados. Como se o Estado não tivesse nada a ver com isso. Como se a miséria se extinguisse com esmolinhas.

A direita não pode ver uma classe média com bom nível de vida, precisamente, porque tem de combater a diferença entre a pobreza e a abastança. É assim que, cada vez mais, a classe média vai para a pobreza.    

Tudo isto para que a direita consiga concentrar riqueza numa classe cada vez mais restrita, mas cada vez mais rica e poderosa. Com o poder do dinheiro, até se vangloria de, só ela, poder criar equilíbrios na sociedade.

Com esta espécie de direita no poder, não há qualquer possibilidade de uma redistribuição justa da riqueza criada no país. Há, sim, cada vez mais, a concentração dessa riqueza, em mãos que não se abrem para ninguém.

Obviamente, que essa direita investe tudo o que for preciso para que a esquerda nunca chegue ao poder. Com argumentos que só o dinheiro mantem de pé e com defensores que não toleram ver gente a viver bem.

E essa direita, quando na oposição, nunca vai descansar enquanto, a bem ou a mal, não derrubar a esquerda que lhe barra o caminho e a impede de atingir o indispensável poder, sem o qual a vida se lhe torna impossível.  

Finalmente, há aquela coisa chamada corrupção de que todos os políticos falam, mas que poucos prescindem dela. Não há corrupção sem dinheiro à vista. E se é a direita que o tem, é dela que a maior corrupção se alimenta.