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afonsonunes

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28 Nov, 2015

Cai, não cai

 

Marcelo disse há dias que chega de brincar ao cai não cai. Esta brincadeira a que ele se refere tem autores bem conhecidos. Aos quais, logicamente, se poderia chamar brincalhões. Na verdade isso está mais que esclarecido.

Como o país está farto disso, parece que está na hora de se acordar de uma longa hibernação de quatro anos em que, efetivamente, se brincou muito com quem, por nada, se associou às muitas e tristes brincadeiras.

A realidade é o que é, e não aquilo que os novos radicais pretendem. Sim, porque se fala muito de radicais para não se aceitar os factos, mas esquece-se que, assim, se cai num confronto de potenciais radicalismos.

Portugal precisa de confrontos, sim, mas de ideias, discutidas de forma ordeira e sensata, não aos berros de novos radicais de guerra sem quartel a tudo o que seja tentativa de achincalhar quem não lhes siga os passos.

E isso já subiu para níveis intoleráveis de dimensão. Mas também para níveis de poder incompreensíveis. É sabido que os bons exemplos devem vir de cima e que os maus exemplos devem ser condenados pelos de cima.

Quanto aos perigos dos radicalismos, de esquerda ou de direita, parece-me que os primeiros se atenuaram, enquanto os segundos cresceram. Ora isso leva-me a outro raciocínio que se me apresenta como muito positivo.

O sentido crítico e de denúncia, dessa esquerda tão repudiada pela direita, daquilo que tantas vezes ensombra a democracia, pode ser um travão às derivas governamentais do centrão que tem governado o país.

É sabido que PS, PSD e CDS, desde o início da democracia foram os responsáveis por tudo o que de bom e tudo o que de mau colocou o país nesta situação. Bloco e PCP denunciaram muito, mas ajudaram pouco.

Agora, neste novo ciclo, podem e devem continuar a denunciar, mas com mais sentido de construir e menos desejos de destruir. Essa pode ser a grande conquista participativa, para que haja mais equidade governativa.

É evidente que ninguém pode garantir nada à partida, como pretendem certos exigentes que nunca exigiram nada a si próprios. Isto, agora, pode correr mal. Pois pode. E, em alternativa, o que é que poderia correr bem?

Não estamos em tempos de pais tiranos. Tão pouco de filhos que vivem da tirania dos seus pais. O cai não cai, é fruto de mentes rancorosas, ameaçadoras e doentias. Os governos só são maus, depois de governar.

Este país não pode ser o Portugalex de Passos e Portas, pois isto não está mesmo nada para rir. Mas também não adianta chorar. Entretanto, veremos se o governo cai ou não cai. Até lá, os ansiosos que se aguentem.  

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