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afonsonunes

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17 Out, 2014

CANDIDATOS A POBRES

 

Potencialmente todos os portugueses são candidatos a pobres. Como hoje é o dia do combate à pobreza, ninguém pode ficar a assobiar para o lado. Um quarto dos portugueses já vive na pobreza. Na maior, ou na menor.

Muito preocupante é o facto de, tendencialmente, esse quarto caminhar para passar a metade. Basta olhar para os que ficam por cá, à espera de melhores dias. Mas estavam cada vez piores, para os que já fugiram.

Os pobres que sempre foram pobres, lá vão sobrevivendo como podem. Ninguém olha para eles, apesar de servirem as vaidades dos grandes mentirosos, com hipócritas preocupações e dádivas envenenadas.  

Os pobres que eram remediados, já são pobres sem remédio. Foram apanhados na onda de empobrecimento que varreu o país. Tudo mudou radicalmente. Hoje, andam de Herodes para Pilatos para sobreviver.

A classe média viu desaparecer muito do que era o seu pecúlio e a sua estabilidade. Sem trabalho, sem respeito pelos seus direitos e sujeita às mais traiçoeiras maneiras de lhe retirar o que foi ganho com muito suor.

Depois, temos os ricos. Que se julgam superprotegidos no alto das suas fortunas, dos seus vícios e das suas ganâncias. Os ricos sérios, se olharem para o lado, verão como outros ricos, são capazes de tudo para os roubar.

Hoje, ainda são poucos os que são apanhados pela justiça. Porque, em todo o lado, há essa praga de ricos que tudo dominam. Que se protegem uns aos outros. Mas, eles próprios, correm o risco de ficar sem nada.  

A maior parte dos governos está com eles. Eles estão com o governo. Uns e outros andam misturados. Todos falam dos pobres e da pobreza, como prioridade das suas vidas. Mas, todos roubam e todos eles se roubam.

Hoje, dia do combate à pobreza, gostava de perceber como conseguem as famílias numerosas pobres, ter acesso aos dois mil euros que as famílias numerosas ricas podem abater ao IRS. Talvez apresentando faturas falsas.

O mesmo se passa com o abatimento dos mil euros com despesas de saúde, se essas famílias não podem sequer pagar as taxas moderadoras. As grandes faturas virão das boas clínicas privadas. E, está bem assim.

Estão de parabéns, todos aqueles que têm o privilégio de ter quem os considere pobrezinhos, atirando para o lugar de ricos, todos os pobres que ficam de fora de tão louvável sistema. Fácil, falar dos pobres e da pobreza.