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afonsonunes

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Obviamente que não, uma vez que hoje é dia de Carnaval. Isto apesar de não ser este o meu lema ao longo do ano, pois entendo que estes dias de Carnaval, são apenas a continuação das palhaçadas de todos os dias.

Há muitos palhaços que estão a abusar do tema da legitimidade das eleições para tirar, ou manter no poder, bons ou maus democratas. Há ditadores de esquerda e de direita que ganham eleições e governam.    

Quando era um pouco mais novo, tinha uma predileção especial por aquela secção dos jornais que dava pelo nome de ‘Veja as diferenças’. Parece-me, mesmo agora, que até tinha um certo jeito para as descobrir.

Atualmente, ando a descobrir diferenças de outro género. Por exemplo, as reações de certos democratas à atuação de ditadores de esquerda e direita nos respetivos países. Se quiserem, apenas bons e maus governos.

Na Ucrânia, ou mesmo na Venezuela e até na França, a direita desanca sem piedade nos detentores do poder, com razão ou sem ela, nunca invocando que eles ganharam eleições para cumprir os seus mandatos.

Portanto, para a direita, o descontentamento popular é razão mais que suficiente para destituir a esquerda do poder. Se a direita está no poder e é contestada pela esquerda por desmandos, isso é anti democrático.

E lá vem o argumento de que ganharam eleições. Na Ucrânia, na Venezuela e na França, casos muito diferentes entre si, os seus líderes ganharam eleições. Mas a direita quer novas eleições quanto antes.

Em Portugal, em dois mil e onze, a direita correu com um governo de esquerda a meio do mandato, recusando qualquer espécie de consenso pelos motivos conhecidos. Logo se arvoraram em salvadores da pátria.

Agora, para se manter no poder, mesmo com maioria, precisa da esquerda e argumenta que o facto de ter ganho eleições lhe dá legitimidade total. E Julga que a esquerda tem obrigação de lhe dar o que ela recusou.

Estes conceitos de democracia e pensar de democratas, são um pouco estranhos. Mesmo no seu jeito de invocar o interesse nacional. Que, para eles, é agora imprescindível, mas não o era quando tomaram o poder.

E nem é preciso recorrer aos argumentos que utilizaram então. A razão é um pau de dois bicos. Tão depressa se ganha, como logo a seguir se perde, pois o poder é, por natureza, avesso a quem dele abusa por sistema.

É velha e relha, esta dicotomia de esquerda e direita. É mais que velha a constatação de que há ditaduras de esquerda e de direita, logo ditadores dos dois lados. Por azar, há quem entenda que só os seus deviam existir.

Isto não é uma maneira de brincar ao Carnaval. Mas é uma maneira de atirar papelinhos coloridos para a cara daqueles que me atiram areia para os olhos. Não se lhes pede que se emendem. Mas comportem-se.

 

 

 

 

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