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afonsonunes

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07 Abr, 2014

CHERNE MAL-AMANHADO

 

 

Antes de ser consumido qualquer peixe precisa ser devidamente amanhado por quem o saiba fazer. Normalmente, as peixeiras, que lhe conhecem os podres para tirar e limpar o que fica para a cozinha.

O cherne não é carapau nem sardinha logo, mais cuidado tem de haver na supressão da sua tripa suja. Até porque quem o consome é gente mais exigente que a da petinga frita, que come tripa e tudo.

Certamente que não é por causa da tripa que o cherne mal-amanhado está a provocar um certo fedor informativo. Já circulam mesmo diversas narrativas sobre os seus lapsos de memória.

Estamos em época de dar. Muito ou pouco. Até o cherne quer dar o que não tem. Diz-se que há quem prometa demais. Mas ninguém, ou muito poucos, dizem quem é que roubou demais. Memórias curtas.

A televisão pública está metida num berbicacho dos diabos, agora agravado com o farejador de arquivos. Infeliz ideia a de tirar a Cristina, pois com ela, felizmente que as audiências eram escassas.

Mas isto vai acabar mal. Por isso, é que é um berbicacho. Acabar com o espaço, só com um ato de coragem, que é matar uma narrativa, com todas as consequências em termos de imagem de pluralismo.

Manter o espaço, é submeter o JR às alfinetadas do JS, sabendo-se de antemão quem é que não vai desistir, e quem é que pode não suportar por muito tempo a destruição sistemática dos seus arquivos.

Depois, com as audiências a subir, o cherne sem reagir, o Coelho e o governo a ouvir, o presidente calado a assistir e todos os partidos a engolir (em seco), o país é capaz de começar a rir (de gozo).     

Tudo isto por causa de um cherne mal-amanhado que pôs a barbatana fora de água, sem avisos prévios aos muitos que estão agora a escamá-lo. Se quer piscina de Belém, cuide da memória.