Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

02 Dez, 2015

Chocalhos urbanos

 

Os chocalhos alentejanos já alcançaram o mesmo êxito conquistado pelo cante alentejano. A ruralidade vai-se impondo ao urbanismo. Julgo que tal se deve à menor poluição musical e verbal que invadiu o planeta Terra.

Os chocalhos são um seguro de vida em animais que vagueiam pelos campos e correm o risco de perderem os seus rebanhos. O chocalhar não é exclusivo desses chocalhos. Há badalos que nos atordoam os ouvidos.

Ou não fossem certas línguas, uns badalos que se movimentam na boca como o badalo martela dentro do chocalho. É pena que também elas não sejam património da humanidade. Podiam servir para pregar no deserto.

Temo que seja um certo chocalhar urbano que justifique fenómenos como aquele que parece estar iminente. A decadência e ou falência de jornais que, certamente, vão deixando de ter leitores que os comprem. Porquê?

Depois, despedem pessoal como quem toma o pequeno-almoço. Se calhar, os responsáveis por esses atos de boa gestão, nunca pensaram por que carga de água isso acontece. Não será por terem mandado chocalhar?

E agora, que vai ser de mim e dos já muito poucos sobreviventes destas andanças bloguistas ao Sol. É claro que, pelo menos eu, não posso viver sem isto. Mas é que não posso mesmo. Senão, já tinha desistido. E agora?

Largar o vício desta chocalheira que me atingiu em cheio, isso nunca. Nem que seja chocalhar para deitar no lixo, o que já devia ter feito há muito tempo. Mas o problema mais lixado é que eu também gosto de ver lixo.

Não sei como vai ser isto de apagar dois títulos para ficar apenas um. Até pode ser ‘Isol’. Ou ‘Soli’. Com ‘carago’! Mas fazer isso só com um terço, deve ser tarefa do ‘catrino’. Se calhar dois terços de nós, também se vão.

Com franqueza, já estou mesmo a ver que não posso escapar. Mesmo oferecendo-me para ficar de borla. É que não vejo hipótese de me manter no meio desta concorrência. Vou ser despedido. E, dirão, com justa causa.