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afonsonunes

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O clima está a confundir a humanidade com os distúrbios naturais cada vez mais indomáveis, por muito que por cá se tente vender a ideia de que tudo acontece por culpa de um governo que nada faz para que ninguém sofra os efeitos de tanta calamidade que vai acontecendo.

Ainda há poucos dias o país estava seco e havia a sensação de que só um milagre daria a volta a essa situação. Daí que as rezas e os apelos ao divino fossem a única esperança daqueles que normalmente consideram a chuva, quando ela cai, como causadora de dias sombrios, tristes, até deprimentes.

É evidente que estes dias que temos agora, cheios de acidentes e incidentes resultantes do excesso de violência causado pelo clima, excessos que até já têm nome como os humanos, levam-nos a pensar que o sol, o calor e a mobilidade sem peias são quem nos fazem felizes.

Depois, lá vem o ambiente a misturar-se com o clima. Por todo o lado encontramos pessoas que criam mau ambiente, na rua, no emprego, na sociedade. Sociedade que é vítima de um clima de cortar à faca, principalmente quando se discute política, partidos e políticos ou futebóis, adeptos e clubes.

Veja-se o clima, ou o ambiente, que se cria nas discussões na AR, a chamada casa da democracia, mas onde aparecem incendiários frios e calculistas que gelam as consciências dos mais sensatos e tolerantes ou os que aproveitam todos os excessos de linguagem para exaltarem as virtudes de uma escandalosa e ridícula liberdade de expressão, dando asas à mais pura libertinagem.

E há quem venha logo com a velha canção do nível. Nível que sobe e desce nos termos da linguagem utilizada nas discussões mais acaloradas, quantas vezes originadas por equívocos ou desacordos mais ou menos baseados em teimosias ou pormenores que nada dignificam as sabedorias ou competências dos desavindos.

Uma pequena divergência pode provocar de imediato um baixar do nível, ou o largar um impropério que conduz a uma descida ainda maior do nível do impropério. O nível mede-se pela qualidade do insulto e o insulto qualifica o nível do insultante.

E assim se caminha para uma escalada de linguagem que já perdeu o nível da razoabilidade a todos os níveis. Já não há tolerância para com ninguém, nem para com a verdadeira liberdade de expressão. O que há, e bastante, é liberdade para ofender, para humilhar, para descredibilizar.

Longe vão os tempos em que as pessoas se redimiam de lapsos ocasionais, pediam desculpa quando erravam, num sinal de respeito pelo próximo. Sabiam discutir calmamente, sem aqueles assomos de superioridade, sem excessos de importância, sem laivos de raiva ou ódio, sem o objetivo de humilhar ou colocar na lama o nome do seu interlocutor.

Quantas vezes, falta apenas aquela parcelazinha de humildade que caracteriza as chamadas pessoas de bem ou uma amostra de educação que se recebia em família ou mais tarde no pré-escolar ou na escola dita primária.

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