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afonsonunes

afonsonunes

01 Jul, 2017

CM/BBV


Os abutres voam em círculo sobre os locais onde detetaram a existência de cadáveres. Obviamente, logo que vejam condições de se banquetearem, lançam-se vertiginosamente para o solo.
Assim que não haja mais nada que lhes minore a fome insaciável, levantam voo e dirigem-se para as alturas, de onde avistarão outros locais que dêem continuidade ao saciar das suas necessidades básicas.
Porém, os abutres, logo que acabam de limpar os ossos, não ficam ali a lamentar a falta do que mais lhes faz falta. Procuram outras estradas, ou outras florestas, onde as suas previsões infalíveis e o seu cheiro a morte mais que apurado lhes forneçam mais carnificina.
Vimos assistindo ao facto de o nosso país estar povoado de uma certa espécie de abutres que não larga o local onde detetou catástrofe que não previu, mas se aproveita do cheiro para se manter no local.
Apesar de já nada poderem tirar dali, senão abrir os seus bicos e lançar no ar os seus lamentos e desânimos, para que aconteça mais qualquer coisa que lhes dê o prazer de se sentirem confortados com o sentimento de que o país sem desgraças nada lhes pode dar.
Estes abutres não voam em círculos nem abandonam o local. Ficam a rosnar como corvos, ou a palrear como papagaios, repetindo até à exaustão, a necessidade de ninguém lhes estragar o negócio, alterando as regras das desgraças.
Nestes últimos dias temos assistido a investidas repetidas de corvos e de abutres, de coelhos, monegros, baldaios, barretes e vazes, entre outros, que não se cansam de ver e comparar o que não foi realmente visto, nem se pode comparar com nada do passado, nem sequer a brincar.
Cair uma ponte, ou tomar uma decisão sobre uma catástrofe, há muitos anos, não tem nada a ver com a realidade dos dias e necessidades de hoje. Só pessoas estupidamente dominadas por interesses inconfessáveis, podem comparar aquilo que não tem comparação.
É evidente que os corvos e os abutres não brincam em serviço e o serviço deles é esse mesmo. Puxar para cima tudo o que, venha de onde vier, lhes forneça a razão de não ter razão nenhuma. Porque têm o poder ilusório de falar e escrever sobre o que lhes convém.
Apesar de saberem que o povo, os sobreviventes e quem tem dois milímetros de massa cinzenta, sentiu como tudo aconteceu, sem dar tempo para pensar em tudo aquilo que os corvos e os abutres agora aproveitam para colher uns instantes de prazer disfarçado, sabendo que aquilo que correu mal, também lhes diz respeito.
Valha-nos a esperança de que, ao contrário de outrora, se está a trabalhar, ao mais nível do país, para que as mudanças avancem o mais rapidamente possível, mesmo contrariando todos os corvos e abutres, que prefeririam a continuação do ambiente que lhes é mais favorável.

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