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afonsonunes

afonsonunes

08 Nov, 2019

Coisas a brincar...

Cada um é para o que nasce. Até há pouco tempo era isto que se pensava sobre as reais possibilidades de cada pessoa poder servir o país e orientar a sua vida sem sequer pensar que todos temos de servir para tudo e, principalmente, que todos podem desempenhar todas as tarefas da mesma maneira e com a mesma eficiência.

Assim, começaram a chegar à minha cabecinha pensadora, situações que me levaram a ter ideias de se lhe tirar o chapéu. E entendi que devia começar por cima, com um exemplo que bem pode vir a revolucionar o conceito de competência, a vantagem de estar à vontade entre pessoas de baixo nível cultural, de compreensão ou lucidez acima da média, ou ainda uma propensão evidente para brilhar ao mais alto nível nacional ou internacional.

Qualquer pessoa que tenha idade mínima para a função e seja cidadão nacional, pode aspirar ao mais elevado cargo do país, sem qualquer limitação curricular desde que, homem ou mulher, se considere uma pessoa normal, e afirme que está no seu direito de ser tão capaz e competente, como qualquer outra pessoa. A sua capacidade de adaptação e o seu espírito inovador, resolverão todas as dificuldades.

Tanto pode ser um ilustre académico como pode ser um iletrado negociante de qualquer ramo. Ou outro cidadão qualquer que não se sinta inferiorizado ou receoso de vir a ser um falhado. Só quem não tem confiança em si próprio se pode excluir seja do que for. A função será sempre marcada pela experiência. E cada qual tem a sua própria experiência. Até um presidente se afirma sempre pela sua experiência, venha ela de onde vier. Porque todas podem ser boas ou más.

Agora o país está bem servido com o presidente que tem. Quando ele resolver sair, gostaria de ver na lugar dele, um procurador ou um juiz, uma professora ou uma auxiliar de educação, um agricultor ou um pescador, um funcionário público ou um advogado. Um… ou … Na secretária do presidente, podia haver só dois carimbos para resolver todo o expediente: Um com a inscrição: APROVADO. Outro dizendo: CHUMBADO.

O chefe do governo podia ser uma prima do presidente. Os ministros e as ministras deviam ser escolhidos tendo em consideração os seus dotes físicos e as suas habilidades e experiências nas tarefas a desempenhar. Talvez assim não estivessem constantemente a ser ameaçados de demissão.

A assembleia seria constituída maioritariamente por gente com uma ou mais deficiências, para suprir o grave problema da dificuldade de conseguir trabalho devidamente remunerado. Prioridade absoluta na seleção: surdos-mudos, só surdos, só mudos, coxos de pernas, manetas, atrasados, retardados, lentos, sonolentos, etc. Pode parecer que haveria falta de comunicação entre eles. É um engano. Se fossem todos saudáveis é que nunca conseguiriam entender-se.

O problema da violência nas escolas poderia resolver-se com auxiliares de educação fardados de polícias para acompanhar os alunos nas aulas e nas atividades fora delas. Acabava-se com a falta de auxiliares que não veem nada, que não querem ver nada, que têm medo dos alunos e dos pais dos alunos, principalmente, daqueles alunos e daqueles pais dos alunos que nos distúrbios nunca são referidos pelos nomes. E os professores deixavam de ter medo das ameaças desses pais e dos pontapés desses alunos.

Nos hospitais, poderia aumentar-se bastante a produtividade se fossem instaladas máquinas de café, bebidas e bolos, em todos os pisos. Os profissionais não seriam obrigados ao esforço de esperar por elevadores lentos, sobrelotados e evitar filas nessas máquinas e perdas de tempo com utentes que querem é conversa. Porque os profissionais o que mais querem, é trabalhar tranquilamente.

Nas televisões e nos jornais pratica-se a máxima, falar o mais possível e dizer o menos possível. Destacam-se a ginástica e o humorismo. A ginástica exercita predominantemente a língua em bate papos que vão do cómico ao violento, passando pelo insultuoso. O humorismo tem ‘homuristas’ às dúzias que enchem espaços com críticas maldosas a pessoas que não se podem defender. Depois há a política: sempre porca, ou quase sempre. E há os jornaleiros: os bem pagos e os muito mal pagos.

Parece que é melhor acabar com esta brincadeira de mau gosto, não vá alguém chatear-se e levá-la a sério, quando leva a brincar tanta coisa séria que chateia muita gente.