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afonsonunes

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Não se pode dizer que as conversas de um defunto sejam um montão de asneiras, pois o que um defunto possa dizer ou pensar, já não faz parte da vida. Não adianta dar muita atenção à morte. Ela não tem discussão.

Obviamente que estou a pensar num governo morto. Um defunto na véspera do seu funeral. Houve muitas palmas, muita algazarra, muita falta de vergonha, muita falta de respeito pela grande catedral da democracia.

Até o incrível exemplo de democrata alemão e braço direito da insubstituível democrata chanceler Merkel, se ergueu ligeiro em defesa de um Portugal livre onde, neste momento, a democracia está a funcionar.

Porém, os seus pares portugueses não têm essa visão tão obscurantista. Para estes lusos, a democracia é tradição de combinações de poder e a casa da democracia é o circo carnavalesco dos seus monos em delírio.

Seis horas seguidas a fazer a apologia do êxito do seu próprio cortejo fúnebre a caminho do céu, é assim a modos que demais. E isto, tendo em conta que os defuntos não falam. Mas já só pensam em como ressuscitar.

Para eles, a lei da morte tem de dizer que ela dura muito pouco. Tão pouco, que nem dá tempo para se lhe rezar pela alma. Certamente, são ‘Aqueles que por obras valerosas, Se vão da lei da morte libertando’.

E tudo o resto, neste país de bancarrotas contínuas, são infiéis inúteis e perigosos destruidores do império que nunca existiu. Infiéis que só podem esperar dos seus amos e senhores, a misericórdia de umas côdeas de pão.

O dia dos Fiéis Defuntos passou há poucos dias. Mas, para aqueles que não rezaram nesse dia pelos seus antecessores, vão ter a oportunidade derradeira de, amanhã pela tardinha, se lhe juntarem em puras orações.

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