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afonsonunes

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20 Mar, 2014

CRISPADO

 

 

Desde há muito tempo que este país está uma crispação. Ora, se o país está assim, é porque está cheio de crispados. Alguns deles até estão convencidos de que, se todos fossem como eles, não havia crispações.

Mas, estar convencidos de que são uns puros anjinhos é uma coisa, e estar constantemente a criar mais crispados, é outra. É fácil deduzir que as crispações são como as constipações. Pegam-se. E com elas vem a tosse.

Tosse que é precedida de espirros que espalham gafanhotos ao redor do constipado. E do crispado. Que, na sua ânsia de espirrar, fecha os olhos e começa a ver milhões de estrelinhas. São os seus milhões de crispados.

É então que o crispado se assusta e desencadeia um esforço enorme para conter a contaminação geral que criou. Com receio que venha a ficar como eles, sem se aperceber que foi ele o primeiro. A origem. A semente.

Há maleitas que a gente tem muita dificuldade em ver em nós próprios. É muito mais fácil descobri-las nos outros. E ter medo delas, mesmo quando elas já se entranharam em nós, à boleia dos nossos vícios e pecados.

À beira deste mar de crispações há um país chamado Portugal que, quer se queira quer não, está a meter água por todos os lados. Como se já não bastasse a orla marítima a deixar-se invadir por ondas ultra crispadas.

Mas, nem tudo é desgraça na crispação. Os mais altos responsáveis pelos nossos destinos, já promoveram a limpeza de alguns crispantes nacionais. Agora, vão pedir ao FMI que olhe para os seus. Que se crispem fora daqui.

Porque os amigos são para as ocasiões e não é aceitável que esses crispantes de vinte países, alguns conhecidos consultores do FMI, tenham o descaramento de repetir as loucas teorias dos que andam a mais por cá.