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afonsonunes

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Conversar, pode ser um vício, uma obrigação, uma necessidade, ou uma forma de torturar alguém. As nossas televisões têm de tudo isto nas suas programações. Estão cheias de comentadores, de crónicas e de crónicos.

Alguns são mesmo um suplício para quem tem a capacidade de pensar no que se ouve e de abstrair-se das patranhas mais ou menos elaboradas. Que podem ser práticas individuais, ou exercícios coletivos de parvoíces.

Chamam-lhes comentários ou debates. Talvez evitem chamar-lhes crónicas para que ninguém se lembre de lhes chamar crónicos. Mas que alguns deles o são, ninguém o duvida. Marcelo, Mendes, Sarmento…

Cada um no seu galho. Na sua quinta. Profetas do mesmo deus. Doutrina da mesma sacristia. Uns mais altos, outros mais baixos. Ou baixinhos. Com vozes, vozinhas ou vozeirões. Meias verdades, ou mentirinhas inteiras.

Nas crónicas em papel, há mais diversidade. Escrever é um prazer para alguns, mas é um grande frete para muitos. A vida custa a ganhar e o emprego é muito difícil de segurar. E há os que escrevem sem pensar.

Entre os que pensam ao escrever, há muitas diferenças de pensamento. Natural. Mau seria se todos pensassem do mesmo modo. Mas já é muito pior, quando pensam o mesmo e escrevem coisas literalmente opostas.

E sabemos que há disto. Cada vez mais. Formas de comprar o pensamento. Ou de forçar o pensamento. Nota-se nas diferentes formas de escrever sobre o mesmo facto. Que só devia relatar-se de um modo.

É por aí que se avalia a diferença entre a verdade e a mentira. Quando lemos duas crónicas publicadas, muitas vezes, lado a lado. No mesmo jornal. Por um cronista isento e por outro que não esconde ao que anda.

Exemplos não faltam. Mesmo em títulos que ainda não há muito tempo eram referências de seriedade e isenção. Houve mudanças de diretores, mudaram-se jornalistas, ou apenas mudaram as maneiras de escrever.

Haverá quem esteja preocupado com esta situação de se sentir livre no meio de prisioneiros de toda a ordem. Mas também há quem não dê por nada. Ou não queira mexer em nada. São os crónicos sempre em pé.