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afonsonunes

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A atualidade política nacional é dominada pelos galos de Barcelos e pelo desejado das Caldas. Mas que coisa mais incompatível, diria eu. Os galos cantam muito mas não acordam toda a gente. E a sonolência é perigosa.

Mas os galos insistem no ‘có-có-ró-có-có’ do costume, convictos de que o muito cantar não cansa. E que as buseiras que deixam cair dos seus altos poleiros, vão convencer de que aquilo não é mesmo um mau estrume.

Porém, os galos não se limitam às suas capoeiras e vai daí resolvem fazer uma excursão até às Caldas, onde sabem que existe um, que lhes enche as medidas. Daí que não se calem com a necessidade de ir lá buscá-lo, e já.

Esta correria desenfreada ao passado, faz-me lembrar aquela canção do Arlindo de Carvalho, ´A azeitona já está preta, Já se pode armar aos tordos’. Mas os tordos ainda não vieram, pois a azeitona ainda está verde.

Eles, os tordos já andam por perto. Alguns até já se ouvem piar. Talvez tenham emigrado antes do tempo, razão pela qual também anteciparam o seu regresso. Sujeitam-se a ter de esperar que a azeitona já esteja preta.

E o maior perigo que correm reside no facto de se encontrarem esfomeados, aumentando o risco de caírem nas muitas armadilhas que os esperam e até de enfrentar os canos das espingardas que os esperam.

Vão chegar convencidos de que vêm encontrar olivais de paz, mas tudo indica que paz, vão ter pouca. Não terão, de certeza, a paz do poleiro do galo de Barcelos, nem a ajuda do tal que, vindo das Caldas, é tão desejado.

A azeitona ainda não está preta logo, é aconselhável que ainda não se arme aos tordos. Porque a tempos de guerra, não sucedem, de imediato, tempos de paz. Em princípio, convém esperar pelo inevitável armistício.

E em tempos de armistício também não é sensato querer matar quem não morreu na guerra. Tal como não convém içar bandeiras antes de ver consolidada a paz. Que, no caso, há guerreiros e há pacíficos indefinidos.

Certo é que, os guerreiros agora pacíficos, terão mesmo de ser menos brutos, enquanto os pacíficos agora guerreiros estão obrigados a controlar os seus desejos, de modo que nada nem ninguém continue como dantes.