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afonsonunes

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07 Dez, 2014

DE TROMBAS

 

Antes de mais, quero felicitar o doutor Mário Soares pelos seus noventa anos. Sou um dos muitos que consideram ter sido ele o pai da nossa democracia, o grande defensor da liberdade e da nossa entrada na UE.

Sobre o doutor Mário Soares, ponto final, parágrafo.

Muita gente sentiu-se enojada por causa dos mexilhões e dos donos. Quem mexe é mexilhão e quem tem mexido abusivamente nos bolsos dos portugueses está bem identificado. Um mexilhão que abusa das palavras.

Diz o povo com toda a propriedade que quem se lixa é sempre o mexilhão. Ora, quando há um mexilhão que nunca se lixou e lixa muita gente todos os dias, alguma coisa está errada no dicionário do grande mexilhão.

Se não é do dicionário, é da gramática. Se não é de uma coisa nem da outra, só pode ser da língua que não sabe, ou não pode, dar o devido jeito às palavras que por ela passam. E já se tornou hábito, esse mau jeito.

Tal como ele, há outros mexilhões que interferem na vida dos portugueses. Para uns, o dom da palavra puxa-lhes sempre para o atropelo. Outros, dizendo o mesmo, sabem escolher melhor as palavras.

Na verdade, é esse o seu programa único das festas. Um programa que tenta flagelar outros mas que, por ironia do erro, acaba por ser um programa de autoflagelação. Com muito foguetório a rebentar à sua volta.

Ou talvez uma tentativa de suicídio. Mas só se for com uma boa companhia na mesma corda. Morrer é o que menos importa, desde que se não vá só. Senão, há que esperar pela última moda. A morte assistida.

Entretanto, discute-se muito o programa que ainda não existe. Mas que toda a gente sabe que vai existir. E não é preciso vir a ser muito bom, para suplantar o suicidário que já existe. Basta que dê para sobreviver.

E que dê também para que os donos disto sobrevivam á maledicência. O desaparecimento é a morte. Que os maus donos disto vão todos para onde merecem, mas não para onde os moribundos os querem empurrar.

Quando o elefante atira com a tromba para o ar vai sair trombada. Mas o elefante é o elefante. Forte, destemido e genuíno. E não se importa de dar de trombas com cabeçudos que são obrigados a andar de tromba baixa.