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afonsonunes

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04 Fev, 2014

DESAFIOS

 

 

Não há nada mais pândego que passar o tempo a lançar desafios. Esta nova e profícua ocupação, quase fez desaparecer aquele mau hábito de vender postas de pescada em tudo o que é comunicativo e formativo.

Aquelas longas e chatas divagações políticas já praticamente não existem. Já ninguém contraria ninguém. Talvez por isso, também deixou de se falar naquela chachada dos consensos a propósito de tudo e de quase nada.

Também, talvez por isso, já não haja a velha treta dos desmentidos. Hoje já todos dizem barbaridades e é como se não se passasse nada. Talvez por isso, as digam, sabendo que não são desmentidas. E se fossem, ora, ora.

Pois, porque tudo isso foi substituído por desafios, ainda que se saiba que a grande maioria deles vão terminar empatados. Não como resultado, mas como sinal de que um, mais um, não são dois mas, simplesmente, zero.   

Nem compreendo por que razão, se lembraram de lançar desafios. Podiam ter-se lembrado de lançar uma coisa mais concreta. Por exemplo, um joguinho de matraquilhos, para diversificar o trabalhinho de mãos.

Até porque, entretanto, davam aso a que as cabecinhas pensadoras tivessem alguns momentos libertas da turbulência dos desafios, em que há lesões graves, árbitros intelectualmente perfeitos e lesados a arder.

Para completar o cenário desafiante, não podiam faltar os que assistem aos desafios com aquela paixão que os leva à rouquidão. Que até se manifesta no que escrevem, pois os desafios enervam muita gente.

Não há coisa pior que os nervos para sobrecarregar as cordas vocais. Ele são os berros, os esganiços, a gaguez e sabe-se lá mais o quê. Depois, lá se lembram de mais um tolo desafio. E a gente sem poder desafiá-los a sério.