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afonsonunes

afonsonunes

28 Set, 2016

Desconfiados

 

Desde há muito tempo que ando desconfiado que o país está cheio de desconfiados. Sei perfeitamente que uns andam mais desconfiados que outros e que uns desconfiam de coisas que estão à vista de toda a gente enquanto outros, chegam ao ponto de desconfiar daquilo que tinham obrigação de saber, se trouxessem os neurónios do fuso devido.

É o caso de um tal de Passos, dito de Coelho, que anda desconfiado que as contas do governo não batem certo com os números que ele conhece. Lá está, eu ando desconfiado que ele não sabe ler os números. Se tal não acontecesse, ele diria ao governo que tem a certeza de que os seus números estão certos e os do governo estão errados.

Não há nada como falar claro e mijar direito, como diz o povo. Para quem sempre teve tanta prosápia em se mostrar um profundo conhecedor de tudo e de todos, fica-lhe mal desconfiar, seja lá do que for. Aliás, no lugar que desempenha, devia estar rodeado de bons assessores e fazer orelhas moucas aos que, como ele, nada mais nos dizem senão que andam desconfiados.

Já a sua ex-parceira e atual adversária Assunção Cristas, anda desconfiada de que alguém lhe quer dar o estatuto de rica. Nesse sentido, anda desconfiada que deixe de ser classificada de integrante da classe média e lhe vão mexer nas suas poupanças. Talvez desconfie mesmo, que ainda lhe vão tributar a sua modesta casinha, ao passar para o escalão de rica.

No entanto, pode estar descansada, pois a Mariana Mortágua, a tal que é acusada de ser a autora de todas as medidas do governo, nunca pensou em tal tirania. A tirania de ir buscar os impostos à classe média de Assunção Cristas, em lugar de os ir rebuscar nos bolsos vazios da classe mais baixa.

Já a eurodeputada Ana Gomes anda desconfiada de que o PS, o seu partido, se está a deixar manipular por um indivíduo nada recomendável, no seu alto critério de julgamento de pessoas a olho. Ana Gomes tem desconfiado de muitas coisas. Mas, as suas desconfianças, boas ou más, não têm resultado em, praticamente, nada de jeito.

É caso para lhe recomendar que as pessoas, todas as pessoas, têm direito a falar e a manifestar as suas opiniões. Se a lei da rolha chegasse a esse ponto, ela própria já tinha boca rolhada há muitos anos. E ainda ninguém pediu, no seu partido, para a mandarem calar. E, por vezes, já tem falado sem muito tino, sem que alguém a acusasse de estar a manipular fosse lá quem fosse. Toda a gente tem o direito de falar. Mas, por vezes, é bem verdade que quem fala demais, bem melhor seria que estivesse calado.