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afonsonunes

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04 Mar, 2016

Desígnios

 

Todos temos os nossos desígnios. Mas nem todos somos capazes de os passar para o campo da realidade. Há quem tenha desígnios maravilhosos mas passa uma vida inteira a falar neles e não mexe uma palha por eles.

Também eu tenho o meu desígnio, que é do tamanho do mar. Desse mar largo e profundo que me faz pensar que um desígnio assim, só pode ficar parado na imensidão do tempo. Acabarei por partir e ele ficará por cá.

Estou a lembrar-me de alguém que também teve a felicidade de viver com o seu desígnio durante uma vida inteira. Tudo fez para o esquecer mas não conseguiu. Lá de vez em quando, assaltava-o a nostalgia do desígnio.

Era o mar, meu bem, era o mar, como diria um apaixonado qualquer. Para quem é seco como as palhas, nada melhor que o mar para vencer tantas securas. Mais umas horas e poderá contemplar o mar todos os dias.

Não sem antes receber a promessa de que o seu desígnio, o mar, será também o desígnio de quem tanto foi o seu anti desígnio. Mas há sempre quem tenha como desígnio ser uma nova versão do bom samaritano.

Ainda há gente assim. Poderá dizer-se que é uma virtude. Terá sido uma virtude, sim, no tempo em que quem levava uma bofetada oferecia a outra face para que lhe dessem outra. Isso, nos dias de hoje, não existe.

Hoje, é frequente ver o homem-porco, aquele que tem por hábito, por feitio, ou por modo de vida, por puro gozo, por sujo prazer, ou por interesses mesquinhos ocultos, insultar gente séria, educada, sem castigo.

Tudo porque uma coisa é a justiça delineada nas leis e nos direitos dos cidadãos, outra coisa é a justiça que muitas vezes se vê atropelada por quem a devia proteger, investigar e condenar, mas nunca antes de julgar.

O meu grande desígnio era ver um dia todos os homens-porco, de qualquer área, ou com qualquer estatuto, pagar criminalmente pelo que dizem e fazem de mal, contra quem só vociferam ódios e vinganças sujas.