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afonsonunes

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07 Dez, 2017

Desqualificados


Assunção Cristas falou de desfaçatez a Antónnio Costa e este disse-lhe que ela era uma desqualificada. O primeiro-ministro tem tido uma paciência enorme, ouvindo as piores desconsiderações, para não dizer coisas piores, que vão muito para além da normal guerrilha políco partidária.

Talvez por isso, foi um pouco mais duro com a líder do CDS que já por várias vezes se arroga o direito de não respeitar a pessoa do governante, já que se considera uma estrelinha depois das eleições autárquicas. Talvez porque se sinta na necessidade de exceder os descalabros linguísticos do líder parlamentar do PSD.

Costa tem ignorado quase sempre esses excessos que lhe vêm de todos os lados, uns mais carregados de ódios recalcados, os da direita, obviamente, outros mais comedidos, os vindos da esquerda que o apoia, quando os assuntos lhe são mais difíceis de engolir. Depois, há os recados velados e fora de contexto do presidente.

De um modo geral é evidente que tudo isso se passa para que os títulos das notícias dos jornais, rádios e telejornais, garantam a notoriedade que normalmente não teriam, ou não deveriam ter, uma vez que daí só resulta descrédito para a política e para os políticos. Mesmo para aqueles que com isso se julgam os maiores.

No caso do PR, notoriamente um caso de excecional popularidade, o facto de exercer o seu mandato via televisão, como alguém já realçou, vai criando anti corpos em gente mais esclarecida. O PR não governa e não é curial que deixe entender publicamente, discordâncias com o PM, pois isso devia ser tratado entre eles.

Quanto aos partidos, o país só teria a ganhar se conseguissem sentar-se todos à mesma mesa para discussão séria dos assuntos de interesse estrutural ou de carácter internacional. A deterioração das relações entre eles, cada vez mais tensas e incontroláveis, só os fazem cair no fosso do descrédito.

A comunicação social tem muitas responsabilidades na situação a que o país chegou, em termos de guerrilhas permanentes. As notícias favoráveis ao governo, ou não aparecem, ou são apresentadas, normalmente, num tom jocoso e insolente. Interessam mais os insultos, as picardias e as porcarias atuais.