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afonsonunes

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07 Set, 2014

DISCUTIR?

 

 

Cavaco ouviu o desafio de Maria Luís aos deputados, para que discutam a dívida pública na Assembleia. E vai daí, logo terá entendido que era uma boa ideia. Disse esperar que os partidos fizessem a vontade à ministra.

Nem o presidente nem a ministra devem ter reparado que empregaram um verbo inconjugável dentro da atual Assembleia da República. O verbo discutir, que implica falar e ouvir, para depois se acordar numa solução.

Certamente, não se lembraram que teria sido muito mais interessante e até útil, discutir a dívida pública, antes de existir ou se agravar. Discutir os melhores caminhos para não depender dela e a melhor maneira de geri-la.

Essa discussão, ou qualquer outra, há muito tempo que não existe. A maioria, fala do que quer e aprova o que lhe apetece, sem dar ouvidos a quem quer que seja. Assim, lançar desafios ou apoiá-los, é uma treta.

Portanto, que pretendem os desafiantes? Discutir o quê, para quê e com quem? Discutir, só se for entre Passos e Portas, eventualmente, com Maria Luís a ouvir. O resultado dessa discussão, chegará à Assembleia.

Depois, Montenegro comunica a todas as bancadas, e bem, como só ele sabe dizer coisas, a única solução para os problemas em questão. Só não sabe, nem ele nem os seus chefes, como descalçar a bota que calçaram.

Todos os desafios, ou reptos, ou apelos, seja ao diálogo, seja a receber contributos, visam apenas deitar areia para os olhos alheios. Mas só depois de terem os seus olhos tão areados, a ponto de já não verem nada.

Gostava de saber o que é discutir a dívida pública. Será apenas, e só, angariar aderentes à causa de quem a tem aumentado brutalmente? Será querer que lhes digam como e quem a vai pagar? E ainda há quem espere.