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afonsonunes

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O velho presidente atingiu hoje o limite da vida que ali, lhe estava irremediavelmente concedido. Nestas coisas de mandatos é assim. Chega o dia e a hora de ir embora e vai-se mesmo, porque o novo está à espera.

A partir de hoje é esse mesmo novo que se inicia nos meandros do destino do país. Hoje é o primeiro dia de uns longos cinco anos. Este dia de hoje não tem, nem nunca terá, nada de comparável com os que falta cumprir.

É verdade que hoje já se disseram, e vão dizer-se ainda, muitas palavras de circunstância. Muitas intenções boas e muitos elogios a quem nunca os mereceu. E até algumas promessas sobre o que nem está nas suas mãos.

Foi sempre assim. O facto é que, o que se diz e o que se pensa, pode ter muito valor para quem discursa e ser mais uma repetição antiga de quem ouve. Porque o problema está na interpretação do que se considera bom.

Pode prometer-se justiça, bom senso e fidelidade às leis do país. Mas isso todos dizem no ato de posse. No entanto, ninguém tem o mesmo conceito firme e seguro de como se traduz isso nos procedimentos do dia-a-dia.

Poderia até dizer que na caridosa hipocrisia dos discursos cabe tudo. Como exemplo, o elogiar tudo o que foi feito para trás, quando na campanha se condenou asperamente aquilo que se prometeu combater.

Embora sejam tradições muito antigas, não têm sentido estas trocas de medalhas e condecorações entre quem entra e quem sai. Quem sai pode ter sido mau ou muito mau e quem entra ainda nada fez, logicamente.

O país está realmente em muito mau estado. Mas, nestes dias de posse, todos os seus maiores dirigentes e responsáveis foram inexcedíveis segundo as distinções e elogios que lhes são prestados. Isto é hipocrisia.

O poder passou do velho presidente para o novo presidente. O velho não deixou saudades. O novo encheu o país de esperança. Os portugueses esperam, certamente, que o seu sentido de justiça vá com o do povo.

Com um sentido compreensível, disse o novo presidente que não estará contra ninguém, nem a favor de ninguém. Conhecemos a sua real intenção. Mas, que não esteja contra os polícias, nem a favor dos ladrões.

Os portugueses esperam ainda que, tanto entusiasmo com o trabalho do velho presidente, não lhe estimule o desejo de o imitar. Temos de cicatrizar feridas. Mas, sem esquecer, quem tantas abriu durante anos.

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