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afonsonunes

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07 Dez, 2015

Dor de corneta

 

Há milhentos tipos de dor, cada um com a sua designação própria. Agora, qualquer dia descubro porquê, está muito em voga a dor de corneta. É provável que nem toda a gente tenha a imediata perceção do que é que dói neste caso.

Mas, assim a modos que por semelhança, é meia dor de corno. Isto é, uma dor que se manifesta apenas em meia cabeça. Por exemplo, aquela dor na cabeça de quem teve um grande amor, que depois se tornou num ódio insuportável.

Obviamente que perdura a dor provocada pelo ódio, já que o amor se esvaiu por qualquer desejo não concretizado. Daí que a dor esteja apenas de um dos lados da cabeça. Semelhante à dor de um animal que apenas tem um corno.

É a isso que se chama dor de corneta. Não sei porquê, mas desconfio que a política também tem muito a ver com coisas destas. Vejo, oiço e leio coisas que não têm outra explicação. Gente que já foi tão, tão, e agora nem se enxerga.

Mas, para tudo há remédio. Como a emigração está na moda, a França e a Venezuela são dois países que estão à beira de se tornarem especialmente atraentes para quem não esteja preparado para viver fora do seu bem bom.

E o seu bem bom é tudo o que têm tido ultimamente e que, para eles, é já dado como perdido. E, caso curioso, irrecuperável. Nomeadamente, para certos políticos, certos comentadores, certos escrevinhadores e seus devotos leitores.

No entanto, se tiverem a paciência de aguentar uns tempos, pode até acontecer que se acalmem. E depois, se tudo continuar como até aqui, já não precisarão de emigrar. Outros terão que o fazer por eles. E o seu bem bom regressará.

Por mim, por enquanto, já me sinto aliviado por não encontrar aquela festa do lançamento diário de uma frase bombástica de crónicos fraseadores do tipo do imparável Paulo Portas. Só que, até fazer frases dessas, provoca dor de corneta.