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afonsonunes

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Milhares aos saltinhos como quem está a assistir a um jogo de futebol de topo da primeira liga, é um espetáculo que dá para tudo. À primeira vista, dá para sorrir, porque aquilo está mais afinadinho que uma daquelas claques verdes, azuis ou vermelhas.
No entanto, também pode dar para lamentar tanta dureza de sacrifício, ou não fosse uma dor de alma, ver tantos saltos altos a martirizar os pés, certamente doridos.
Pode ainda dar origem a sentidos choros de quem, nos hospitais do país, sofre a bom sofrer, numa cama ou nos corredores de uma urgência, à espera de quem lhes dê a assistência de que necessita. Mais grave ainda, de quem esperou longos meses por uma consulta, ou uma operação, e continua a ver só gente aos saltinhos.
E pode ainda dar lugar a que muitos milhares de portugueses tenham vontade de dizer basta, às suas muitas situações de miséria, de desespero até, por lhes dizerem não haver dinheiro para minorar os seus sofrimentos.
É evidente que quem anda hoje todo o dia aos saltinhos pode ter toda a razão do mundo para fazer esse sacrifício em prol da melhoria das suas vidas. Mas quantos estarão na mesma situação e não saltam por olharem à sua volta.
Podem ser três, cinco ou dez mil aos saltinhos, mas nada comparado com os milhões que não saltam, não riem, não exibem cartazes exprimindo sentimentos de ofensa, antes esperam pela oportunidade de verem o dia em que chegue a sua vez.
Talvez seja altura de parar com os saltinhos e pensar que ganhar mil, não deve ser sinónimo de querer aumentá-los com a injustiça de ver que não há dinheiro para quem recebe apenas menos, ou muito menos, de metade dos mil.
Apetece-me dizer, BASTA! Sim, basta de tanto egoísmo. Não só de quem ganha mil, mas de todos aqueles que recebem muito mais, alguns, vários milhares e têm toda a pressa do mundo em ver correr para o seu bolso, aquilo que prioritariamente deve servir para corrigir insustentáveis carências básicas.