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afonsonunes

afonsonunes

09 Jan, 2015

É SEMPRE ASSIM

 

O que aconteceu agora em França, já aconteceu em muitas partes do globo e vai continuar a acontecer, provavelmente, com maior regularidade, em locais cada vez menos esperados. Resta saber porquê.

Nestes momentos fala-se muito de liberdades. Nestes momentos toda a gente lamenta os atentados à liberdade. Ainda bem que assim é. É bom que quem tantas vezes atropela muitas liberdades, pense nelas uma vez.

Cada vez há mais gente que é capaz de matar para morrer de seguida. Quando a morte se transforma num acontecimento tão banal e mesmo tão desejado, há qualquer coisa no mundo e nas pessoas que mudou.

E entre muitas outras coisas que mudaram, está o conceito de liberdade. Que anda muito ligado ao conceito de verdade. Há liberdade para tudo. Até para transformar mentiras em verdades. Com toda a hipocrisia.

É sempre assim. Muita gente revoltada, quando alguém mata alguém. Muitas manifestações inflamadas, muita solidariedade até. Mas passados poucos dias, outras coisas surgem e estas são esquecidas até à próxima.

Também há liberdade para matar, mesmo sem balas e sem violência física. Mas mata-se por incompetência, por insensibilidade, por negligência, por danos morais irreversíveis. As vítimas tinham direitos. Sobretudo, à vida.

Contra estes atentados diários, poucos são os que se insurgem. Porque há mortos e mortos. Porque até na morte há discriminações. Umas são lamentadas, outras choradas e outras ainda ignoradas. Mas todas brutais.

É óbvio que não se pode ficar insensível à bestialidade e à barbárie. As reações são normais e humanas. Há muita gente no mundo que anda a brincar com o fogo. Pobres das vítimas que não fizeram mal a ninguém.