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afonsonunes

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25 Ago, 2015

É SÓ UM ENCANTO

 

De altamente chateado com a frustrante nega de estender o badalo nos debates mais divertidos com os mais engraçados adversários, Portas está agora encantado por lhe ter saído na rifa a simpática Heloísa Apolónia.

Talvez porque esteja a ver nela uma política mesmo verde, que calha muito bem com o seu semblante amarelo azulado. Pois, como é que ele havia de estar, senão encantado. Depois de tantos desencantos, claro.

E o debate entre estes dois colossos da nossa democracia, tem motivos de sobra para suplantar os outros, poucos, já agendados. Por exemplo, as viagens de Portas ao redor do mundo, com a sua diplomacia económica.

Certamente que Heloísa não deixará de ficar tão encantada como o seu sóbrio interlocutor, quando Portas lhe contar como rendeu Sócrates nos lucrativos negócios na Venezuela. E como os deixou algum tempo depois.

De duas, uma. Ou não simpatizou com as venezuelanas, ou o Maduro lhe pareceu um pouco verde. A verdade é que o Portas desandou dali, sem diplomacia nem economia. E o Maduro ficou na penúria, como ainda está.

Certamente que não foi culpa do hábil diplomata económico. Até porque ninguém lhe perguntou o porquê de tão súbita e silenciosa retirada. Mas também não se queixou de qualquer oferta verde ou madura do Maduro.

Heloísa também vai ficar encantada por descobrir a verdade dos grandes negócios com a China. Portugal cresceu tanto com eles, como a China desceu ao nível da nossa velha bancarrota. A culpa não foi do Portas, não.

Porque as coisas bem boas ficaram sempre bem claras nas negociações. Provavelmente, os chineses não entendiam bem o português, mas Portas é um craque em mandarim. Portanto, quem não sabe ser caixeiro, fecha…

Agora o que a Heloísa não vai deixar de debater, e de bater sem dó, nem piedade, é a nossa bancarrota atual. Que tem a singularidade de poder ser vista com os cofres cheios, pois quem está rota, e bem rota, é a banca.  

Por tudo o que vai ver e ouvir, Heloísa sairá vidrada, enquanto Portas sairá triunfalmente, como sempre, de tudo aquilo em que entra. Esta é a sua diplomacia. Tão risível como a sua economia. Mas a culpa não é sua.