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afonsonunes

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10 Abr, 2014

ELA E O GOVERNO

 

 

Não sei se um homenageado pode, ou não pode, querer falar numa cerimónia em sua honra. Mas acho descabido querer que fique de boca calada perante os elogios gerais que lhe são feitos.

Alguns desses elogios têm aquele sabor amargo do tamanho de um sorriso hipócrita que, certamente, não deixariam de estar em contramão com o discurso direto e incisivo do homenageado.

No fim de contas, o homenageado só queria fazer um discurso. Provavelmente a condizer com outros discursos que ali vão ser feitos. Mas ela e o governo entendem que o discurso é problema deles.

E o homenageado dirá que o problema é dela e dele, governo. Porque todos sabemos, o homenageado e nós, que ela e ele, governo, não se desviam uma vírgula no discurso de ambos.

Mas que raio de discurso é esse que tanto os preocupa. É uma vergonha que se crie um problema, sobretudo pela linguagem utilizada na discussão do pode, ou não pode, falar. Será falta de chá?

Mais lhes valia, a ela e ao governo, não terem discurso nenhum, isto é, andarem calados, que terem saídas destas, que só mostram o quanto lhes custa que alguém fale sobre os seus discursos tristes.

Lá diz o povo que o calado é o melhor. Mas há quem entenda que sempre é melhor asneirar que estar calado. E também há quem se morda, por fora e por dentro, para morder nos outros. São gostos.