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afonsonunes

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28 Mar, 2015

ERA O VINHO

 

Hoje, não sei a propósito de quê, lembrei-me daquela cantiga velhinha que começava assim: era o vinho, meu bem, era o vinho. Já não me lembra o resto. Mas nem isso me fez afastar a ideia. Sou de ideias fixas.

Sempre gostei de beber o meu copinho de vinho à refeição. Como mandam as regras, obviamente. Já tem acontecido, não gostar do vinho, ao levar o copo à boca. Mas fico com pena de o deitar fora. Sou poupado.

Porém, opto sempre por deitá-lo fora. Seria uma tremenda asneira misturar-lhe outro, na convicção de que ficaria melhor. Nada mais errado. O que não presta deita-se fora. Tenta-se outra coisa. Saia melhor ou igual.

E então quando temos opções que vão dos tintos aos brancos, passando pelos verdes e pelos maduros, nem pensar em conseguir uma boa união de alguns deles. Todos são bons, mas apenas bebendo cada um por si.

Sei que este meu gosto não é consensual, sobretudo quando se quer aplicar o mesmo princípio a situações muito diferentes daquela que abordei para os vinhos. Pois, e se cada vinho fosse um partido político?

Eu diria exatamente o mesmo. Não se misturam partidos políticos. Tal como os vinhos, os partidos são todos bons. Mas, cada um de per si. Se os misturarmos, acaba por sair uma zurrapa qualquer. Talvez intragável.

Quando eu digo que os partidos são todos bons, não estou a falar apenas do meu gosto. Estou a falar nos diversos gostos pessoais. Sabemos que há gostos para tudo. Se assim não fosse, há muita coisa que não existia.

É por isso que é vulgar ouvir dizer-se que tudo faz falta. Que mais não seja, para temperar gostos. Para se comparar gostos. Para que cada um de nós tenha a noção do bom e do mau. Do melhor e do pior. Nada mais que isso.  

E acabo como comecei. A falar de vinhos. Garanto que não estou com os copos. Mas tenho a sensação de que há políticos que andam sempre em estado duvidoso. Sobretudo, os que se misturam. E não sopram no balão!