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afonsonunes

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10 Jun, 2021

Errores e Horrores

A política nacional nunca esteve tão horrorizada como atualmente, embora se esteja nos preliminares de mais uma campanha eleitoral, mais ardente e errática que a permanente campanha eleitoral que já nem se sabe quando começa nem quando termina, isto é, estamos sempre em campanha eleitoral.

Agora, todos os ‘errores’, de erros, pequenos ou grandes, são motivo para se pedir a demissão de alguém, como se já não se tolerasse que os erros são humanos e admissíveis, exceto quando se trate de traições evidentes e conscientes a deveres e obrigações constantes da profissão ou cargo em que está investido o profissional em causa.

O curioso é que essas tentativas de ‘abater’ pessoas, normalmente só aparecem uma de cada vez, ou seja, basta um caso de cada vez, que é quanto baste para consolar a gula por sangue fresco das oposições, dos candidatos a lugares de relevo, dos profissionais de notícias surpreendentes, dos excelsos conhecedores de tudo e de mais alguma coisa. Portanto, logo que um novo caso surja, o que estava em execução acabou. Morreu como nasceu.

Foi assim com o ministro Eduardo Cabrita, vítima de muitos horrores, com o caso do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras em que foi muito mais preocupante a atuação do ministro, que a dos inspetores que mataram um cidadão estrangeiro no aeroporto de Lisboa. Não houve gato-pingado que não exigisse a demissão do governante. Que ainda lá está.

Foi assim com o caso dos futebóis e de Pinto da Costa que, inconformado com a falta de receitas do clube que lhe paga, exigiu a demissão da titular da DGS e do próprio PM António Costa, caso o não fizesse. Podia ter ido mais longe, exigindo que seguissem o mesmo caminho, muitos especialistas e técnicos, além da própria OMS cujas orientações a DGS e o Governo seguiram. Porém, ninguém se demitiu nem foi demitido, até agora.

Está a ser assim, agora mesmo, com Fernando Medina, que corrigiu em abril um erro de procedimentos burocráticos para com a organização e autorização de manifestações, trazendo os seus adversários num frenesim a pedir a sua cabeça para ficarem mais à vontade na corrida à sua substituição. É assim o medo do insucesso. Com tanto medo talvez devessem ter considerado se fariam bem ou mal em correrem o risco de derrota. Mas até ao dia da decisão final Medina lá continuará.

Outros casos poderiam ser referidos. Como o caso de João Galamba que classificou o programa Sexta às Nove da RTP como uma estrumeira. Uma chuva de protestos e pedidos de demissão caíram no esquecimento. Também o ministro da Defesa já ouviu vozes, sobretudo de velhos ‘sargentos lateiros’ que querem permanecer ainda agora, os novos decisores.

Para haver equilíbrio nestas e noutras coisas, os alvos de pedidos de demissão, deviam também usufruir da legitimidade de poderem pedir a demissão daqueles que os queriam ver pelas costas.