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afonsonunes

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13 Nov, 2015

Escutas de Belém

 

Calma, o presidente está a escutar personalidades. Que é como quem diz, está a ouvir. Ou não será quase a mesma coisa? Faço esta advertência por estar na moda fazer escutas e deturpar o resultado de muitas delas.

Claro que o presidente não deturpa nada. Nem sequer se lhe pode fazer qualquer crítica quanto às personalidades que quer escutar, perdão, ouvir. Certamente que tem os seus critérios de prioridades. Mas é apenas isso.

Se eu fosse presidente começava por ouvir os candidatos a suceder-lhe. Se é que eles podem vir a ter alguma coisa que ver com o assunto. E um deles vai mesmo tomar nos braços o menino que o atual lhe deixar.

Talvez por isso não convenha metê-los ao barulho. São suspeitos. Mas os mais prováveis sucessores têm a mesma ideia. Pois, mas isso não tem nada a ver com a ideia e decisão do atual. Quer ouvir gente mais forte.

Por exemplo, alguém que defenda o ataque à mocada contra todos aqueles que têm ideias avançadas. Não é porque sejam atrasados, nem é porque sejam reacionários como lhe chamaram nos tempos de Rio Maior.

Também não é o caso da audição da CIP, que não sabe como se faz para gastar o que se não tem. Mas talvez seja uma boa oportunidade para ficar a saber onde se vai buscar o que falta e que tem sido sempre ignorado.

Já agora, achei extremamente oportuno o aviso do primeiro ao presidente. Ainda não há uma solução de governo duradoura, coesa e estável. Ele já a tem mas, se a disse ao atual, ainda não a disse cá fora.

Dada a complexidade da situação o presidente vai escutar os madeirenses. Ótimo, mas também tem que escutar o que lhe dizem os açorianos. Como são mais ilhas, precisa de um dia para cada uma delas. E isso até convém.

Depois, apesar de não sermos a Grécia, o presidente talvez se decida por ir escutar o governo grego sobre como é que eles conseguiram o milagre de empossar um governo em tão poucos dias. Afinal, não somos a Grécia.

Nós, como país muito mais avançado, andamos ao ritmo dos tempos. Primeiro, o tempo do presidente. Depois, o tempo do parlamento. A seguir, o tempo do presidente. Está aí o tempo das escutas. Oh tempo!

Pois, há quem diga que nunca mais chega o tempo de fazer o que ainda não foi feito. O tempo do novo governo. Mas que ninguém pense que essa pecha se deve ao presidente. Nem pensar. Há todo o tempo do mundo.