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afonsonunes

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23 Abr, 2014

ESFOLADO

 

 

Coitado do coelhinho, tão bonito e engraçadinho! Disse que ainda não tinha sido caçado, logo, ainda não pode ser esfolado. Porque ainda se sente vivinho da costa. Ainda não viu que já não tem pele.

E antes de a perder, suportou tantos disparos que o pelo se foi. Ora, não era possível conservar a pele, quando o pelo já não existe. Não há coelho que não saiba isso. Mas este, nem isso aprendeu.

Por acaso, ainda não reparou que já foi esfolado vivo, apesar do sofrimento que deve ter sentido quando isso aconteceu. Já lá vai tanto tempo que já esqueceu esse momento doloroso da sua vida.

Mas isso não admira, pois, rodeado de tachos como está, nem lhe dá para pensar que pode estar à beira de ter de se meter em um, ou em vários, para desgosto seu e gáudio dos que lhe querem a pele.

É verdade que ainda não foi caçado. Isso, porém, pode dever-se ao simples facto de que já pouco sai da toca. E ao redor, por toda a coutada, não falta quem lhe garanta que ali está bem protegido.

É verdade que ainda está vivo. Mas há muitas maneiras de estar vivo. Não está ligado à máquina, o que significa que o seu estado não tem nada a ver com o estado terminal. Mas, já está ligado ao aparelho.    

Isto, não passa de mais uma história cinegética, entre as muitas que os caçadores inventam nos momentos de repasto das grandes batidas por entre os matagais bravios. São apenas histórias.

 

 

 

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