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afonsonunes

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Espichialistas em contas
Já cheira a dinheiro mesmo a uma distância tal que a vista ainda o não alcança. Porém, o cheiro dele é já inconfundível. Cheiro a mofo, apesar de se saber que vem em notas novinhas em folhas acabadas de sair das rotativas do banco que se diz do centro europeu.
A intensidade do cheiro espicha os pescoços na direção do além na tentativa de que os olhos esbugalhados permitam intensificar a sensação de que os braços estendidos e as mãos ao alto bem abertas possam tocar nos retângulosinhos inconfundíveis de felicidade.
São os sonhados fundos de solução de todos os problemas infiltrados nas vidas dos cidadãos de toda a Europa em que aqueles que pagam mais, vêem um vírus diferente nos que recebem menos do que acham que os outros deviam pagar. Sempre as diferenças entre ricos e pobres.
Ainda que essas diferenças sejam acima de tudo de natureza complexada da superioridade que os infeta, contra a fraqueza dos que, segundo eles, não sabem controlar os seus erros e vícios na governança das suas vidas. No fundo, os fundos são apenas um desperdício.
Por cá um autêntico desperdício são as discussões acaloradas de uns, e raivosas de outros, na certeza de que os fundos devem ser distribuídos pelo método de cada um desses espichialistas, já que não há no país quem, entre corruptos e incompetentes, o possa fazer seriamente.
Sim, temos espichialistas a mais e gente séria e competente a menos. Os verdadeiros especialistas e responsáveis por essa tarefa difícil e complicada, apressam-se a fazê-la o melhor que sabem e podem, para contrariar que essa tendência negativista passe lá para fora.
Quando vemos tantos responsáveis de outrora pelo triste estado do país, a falar de cátedra sobre esses erros e a forma como devem agora ser evitados, dá vontade de lhes exigir que se calem para bem do país e dos portugueses. Alguns surgem agora após longa quarentena política.
Aliás, as televisões ressuscitam a toda a hora esses videntes para os seus espaços de comentários, como verdadeiros espichialistas de tudo o que constitui matéria da governação do país. E lá vão inventando previsões sempre negras como breu, para gáudio dos seus clientes.
Argumentam que o país tem má fama no exterior, que tem corruptos a mais, que é governado por incompetentes, que não sai do ciclo vicioso que dura há muitos anos. Bem mais valia que cada um contribuísse com o seu esforço e ajudasse a corrigir os erros do seu próprio passado.