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afonsonunes

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Pelo menos há o receio, fundado ou não, de que o país anda a ser espiado. Por quem, não se sabe, mas há quem diga que por organizações secretas e há quem afirme que por uma justiça que também tem os seus receios.

Depois, todos sabemos que já há quem esteja a expiar o resultado de certos espiões que, à primeira vista, observam de forma obsessiva e secreta. Isto é normal? Sei lá! Sei é que quem espia também tem receios.

Quando um espião tem a convicção de que está a ser espiado, parece ter a consciência de que não está em pé de igualdade com aqueles que espia. Embora saiba que os espiados estão impedidos de vigiar os seus espiões.

Expiar, significa redimir os seus atos, ou pagar os seus pecados. Mas, acontece que há cada vez mais a sensação de que há quem esteja a redimir atos desconhecidos. A pagar pecados que ninguém viu cometer.

Ora, é natural que ninguém queira pagar faturas ainda não emitidas. E que os emitentes não saibam sequer o valor que devem cobrar. E assim o país anda pendurado por uma espécie de faturas falsas. Que pode ser vigarice.

Com todas as espionagens fixas permanentes e expiações antecipadas em curso, teme-se que as notícias que circulam acerca de gente isenta dessas situações, sejam obra dos que já receiam ficar vítimas dos seus atos.

Sabe-se que os amigos são para as ocasiões. Espera-se que os amigos não o sejam só para se protegerem mutuamente das justas espionagens e não terem que se sujeitar a expiações de culpas já detetadas, mas abafadas.

As amizades não são eternas. Elas mudam com os tempos, porque os tempos também mudam. Sobretudo, quando há mudanças no poder. Até as ligações estalam, se baseadas apenas em proteções de más causas.

Já cheira a qualquer coisa que, com ligações ou sem ligações, mantem essa coisa periclitante. São amigos que se detestam mas precisam de se defender juntos. Porque só juntos se protegem. Mas sempre a espiar-se.