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afonsonunes

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20 Jan, 2016

Espirros

 

A vida política está como o tempo. E o tempo tem apresentado um cariz completamente novo. Até já lhe chamam um tempo novo. É claro que os do tempo velho não se calam, apesar de já terem estado mais calminhos.

Pois, há um mês e tal o tempo mudou. Até a palavra escrita registou umas mudanças esquisitas na sua aparência. É a baralhação da passagem de tempos velhos para tempos novos. Mas os velhos não querem nada disso.

Preferem ir atrás de tudo o que lhes faça renascer a esperança de que o novo não substitua o velho. Falo do tempo, claro. Que é assim um tanto parecido com a política. Há quem julgue que o tempo não tem estações.

Mas tem. E este tempo de inverno é propício a constipações. Daí que haja gente apanhada. Que não tomou as devidas precauções. Não se adaptou ao tempo novo. E aí estão as consequências: espirros incomodativos.

Espirros que, sendo consequência de contágios alheios, trazidos pelo ribombar de trovoadas secas, têm quase sempre o fim desejado de infetar os que parecem pouco agasalhados. Mas, muitos deles já estão vacinados.

Os espirros já foram mais, depois quase desapareceram e estão agora em crescendo novamente. Primeiro, foi o choque da entrada no inverno. Os infetados foram à cama, cheios de febre. Quase deixou de se dar por eles.

Eis que de fora vieram uns raios de sol. Uma boa dose de comprimidos e os espirros, com a mudança de temperatura, já começam a ouvir-se. Serão recaídas sempre perigosas. Cuidado, eles já nem põem a mão na boca.

A vontade de voltar a espirrar é tanta que, à falta de melhor assunto, lá vem mais uma bancarrota, mais um resgate e a falta de financiamento ao país. Tudo isto, febrilmente, visões, associadas à intolerância de Bruxelas.

São coisas do tempo velho, de velhos concordantes com os escaldões que provocaram ao país, a ponto de deixar muitos cidadãos sem pele, por falta de euros para o protetor solar. E de calmantes para os eternos enervados.  

Não se compreende que ainda não tenham aderido ao tempo novo. Ao menos que adiram ao tempo novo de Marcelo, pois o de Costa, nunca na vida, eles o aceitariam, nem que lhes dessem um rebuçado. Para a tosse.