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afonsonunes

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02 Jan, 2018

Estado


Esta palavra Estado parece que está a dar origem a muitas confusões, principalmente em estadistas, que deviam ter uma noção exata do que dizem e do que fazem, sobretudo quando sacodem a água do seu capote e a lançam para cima de outros estadistas.

O Estado é uma nação organizada politicamente. O Estado não é o presidente da república, nem o governo, nem os muitos organismos e instituições ou os seus dirigentes. O estado é o conjunto de todos eles, mais os cidadãos de toda essa nação.

O chefe de estado é o magistrado supremo que governa uma nação. É o chefe supremo das forças armadas e o garante do bom funcionamento de todas as instituições do país. Logo, é o primeiro responsável a nível superior por tudo o que acontece na nação.

Quando há uma ocorrência grave não se deve, nem se devia poder, atirar responsabilidades indiscriminadamente sobre alguém, sem ver se o sistema em que esse alguém está integrado, tinha todas as condições para evitar essa ocorrência grave.

Essas condições têm que ver com a previsibilidade individual ou coletiva, pois não é curial esperar ou atribuir poderes de adivinhação a um cargo, quando ninguém mais adivinhou o que se iria passar. E falar depois do ocorrido é sempre fácil. Até porque há sempre acontecimentos que humanamente era impossível adivinhar.

Se um determinado responsável intermédio erra por ato ou omissão de natureza individual, o seu superior tem o dever de o responsabilizar civil ou criminalmente. O mesmo acontece em toda a cadeia de comando, até ao chefe de estado, quando se fala em responsabilidade política.

É óbvio que ninguém pode demitir um chefe de estado, mas os cidadãos podem contestar a justeza das suas decisões. Tal como podem contestar a maneira como o chefe de estado responsabiliza as outras instituições, ou os outros responsáveis, sem o fazer de forma clara e justificada, sem deixar dúvidas no ar.

Dúvidas que serão aproveitadas por responsáveis com menos escrúpulos, para fazer interpretações interesseiras que vão criar tensões na sociedade e competições desonestas em instituições que deviam relacionar-se com toda a seriedade.

A nossa nação, o nosso país, atravessa dias de grande agitação verbal, com confusões e interpretações de funções e discursos que deviam ser objeto de esclarecimentos em devido tempo, em lugar de se deixar especular, por vezes escandalosamente.

Porque não é só um órgão de soberania, nem só uma instituição que é responsável por tudo o que acontece no país. Há o histórico que cada um saboreia à sua maneira, há os fenómenos da natureza, que cada um atribui a quem lhe interessa e há os oportunismos de criar condições adversas para prejudicar quem se odeia ou detesta.

E há a tendência muito atual de misturar situações. Não há dois meios países num ano. Nem o bom de meio ano pode ser esquecido só porque houve um meio ano com coisas ainda que demasiado más. Cada coisa no seu lugar. E pensar no que houve de bom, não significa ignorar ou desrespeitar o que correu mal.

Do que correu bem não o esquecem os que mais têm sofrido. Do que correu mal, não o deve esquecer todo o país que, desde há muitos, muitos anos, todos de algum modo contribuiram para que esse mal chegasse no passado recente, como podia ter chegado meses antes ou meses depois do ocorrido.

E ninguém pode garantir que não volte a acontecer o mesmo, ou pior, por qualquer forma que a mãe natureza, ou os desnaturados humanos, o determinem.