Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

 

Evidentemente que este deserto é o nosso. Aquele em que vivemos e onde há muitos que não vivem, vegetam. Os que vivem, não olham para os que vegetam e, se puderem, ainda lhes tiram a luz do sol.

Há muitos desertos no mundo, onde cada residente sabe que mata ou morre. É a lei da sobrevivência. Lei dura, mas conhecida e nunca contestada. É como a lei da selva, sem enganados nem enganadores.

Este deserto em que nos meteram de há quatro anos a esta parte, é muito diferente dos outros. Desde logo, porque nos prometeram um oásis. Depois, porque o deserto se encheu de cobras e lagartos.

Atrás dessa bicharada, logo vieram os do pífaro. Que tocam, tocam, e governam-se a tocar e a adormecer os sáurios. Nem precisam que haja quem deite a moeda na malga. Eles tiram-na dos bolsos alheios.

Cada vez mais se coloca o dilema: é preferível viver no nosso deserto, ou ir para um qualquer dos outros desertos? A resposta é fácil e evidente. Basta olhar para a quantidade de gente que fugiu daqui.

É verdade que já houve apelos à fuga, na esperança de que isto fosse mesmo esse oásis prometido. É verdade que ainda agora há quem, seletivamente, queira mandar fugir aqueles que lhes fazem inveja.

E há aqueles que mordem constantemente nos calcanhares daqueles que já viram que não desistem de os afrontar, mais às suas mais que evidentes incompetências e sanha destrutiva do pouco que resta.

Não adianta encobrir falhas próprias com o lançamento de areia para os olhos dos incautos ou de quem os segue cegamente. Hoje, já não há formas de fugir por muito tempo, à verdade e à realidade da vida. 

Todos os dias vão aparecendo mais incompetências, mais aldrabices, mais desvios, mais dúvidas, mais tocadores de pífaros, que julgam que os portugueses são serpentes que eles adormecem. Enganos.

E a origem de toda esta tramoia cada vez maior, está bem definida. Ela não é de quem contesta, mas de quem faz, ou manda fazer. Ela não é de quem, eventualmente, diga asneiras, mas de quem as faz.

Essa permanente alusão a que não há quem faça melhor, é a pior desculpa dos que a invocam. Quatro anos de retrocesso e destruição, de vida num deserto de ideias e de aridez total, já chegam de castigo.