Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

17 Out, 2015

Estica-te

 

Para que não haja alguém que me interprete mal, esclareço previamente que o facto de me estar a exprimir numa segunda pessoa do verbo esticar, não quer dizer que me esteja a dirigir a alguém em particular. Nada disso.

Isto é, simplesmente, uma conversa que estou a ter comigo próprio. Julgo não haver por aí ninguém que não tenha já falado de si para si, que mais não seja para se apelidar de asno, ou de espertinho. São coisas da vida.

Pois bem, vamos lá à conversita. Oh seu palerma, parece que ainda não percebeu que houve eleições para que o povo, todo o povo, se pronunciasse sobre as maravilhas do governo, ou sobre o seu descalabro.

Portanto, segundo deves ter reparado, o resultado geral e global, traduziu-se numa abada de, mais ou menos, 62 a 38. Isto parece basquete, mas não é. Votaram nas maravilhas, 38%. Votaram no descalabro, 62%.

Já te chamei palerma, mas podia ter dito muito pior. Pela simples razão de que fazes parte do povo soberano, do povo que votou, por votar. Percebeste? Então mete lá nessa cabeçorra, que ganhou o povo soberano.

Suponho que deves saber a grande diferença entre estes dois povos. O povo submisso nunca ganha. O povo soberano, que tu integras, vai às urnas por uma questão de bem parecer. E para mostrar que é soberano.

A tua soberania deve ser assim qualquer coisa parecida com aquele extra soberano que descobriu a nova aritmética eleitoral. Os três derrotados, os tais dos 62, têm de se curvar perante os dois vitoriosos dos volumosos 38.

Portanto, pá, estica-te lá com todas as tuas energias até ficares no lote dos 38. Há quem se estique para cima e tem de haver quem se estique para baixo. Mas, cuidado, quem se estica demais, sujeita-se a pegar hérnias.      

E se, por azar, fizer uma ‘hérnia cerebral’, o caso é mesmo muito sério. É que essas coisas dos neurónios têm poucas probabilidades de cura. E para transplante, é preciso que o dador não seja da espécie dos submissos.