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afonsonunes

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11 Dez, 2015

Estupidez

 

Esta coisa da estupidez, que antigamente era horrorosa, ganhou já um estatuto de sensação que tomou conta de uma boa parte da vida das pessoas e do país. Mas é preciso que o estúpido, o seja em termos de captar o olhar dos espertos.

Que o mesmo é dizer que tem de se ser estúpido a sério, dar nas vistas, seja para rir ou para chorar. De preferência, não se deve ter estupidez natural, que essa é coisa chata. Garantida, é a estupidez bem estudada e melhor aplicada.

Um exemplo de encher as medidas aos bons apreciadores da estupidez bem interpretada é, sem dúvida, aquele americano, salvo erro, Donald Trampa. Ao que parece, ele até era capaz de levar os compatriotas a pô-lo em presidente.

Mas, por cá, também não faltam exemplos, não tão cheirosos como o Trampa, mas com a capacidade de obter o melhor do mediatismo nacional. Trata-se do Pedro Arrojado, que trouxe até Portugal uma estupidez simples, mas cativante.

Já o Paulo Afogado, descobriu o antídoto da estupidez natural. É assim uma espécie de estupidez inteligente. Tão inteligente que consegue transferir a sua estupidez artificial, para pessoas que não se importam de aceitar uma natural.

Por sua vez, o Aníbal Embalado, prestes a ser reciclado, adora a estupidez de um superdotado que não passa de um ultra comandado. Por vezes, tem um ar de irritado, outras, um ar de estupidamente enjoado, a condizer com os do lado.

De Donald a Arroja, a estupidez consolida a posição dominante em tudo o que é notícia da atualidade. São os exemplos da trampa que vai pelo mediatismo americano e também pelo português. Sempre em detrimento do que é limpo.

Porque o que é limpo não vende, não se consome, não se revela. Os Donald e os Arroja enchem todos os espaços. E quem neles se passeia, para os ver ou para os devorar, com os olhos ou os ouvidos, sente-se feliz naquele mundo estrelado.

Depois, como tudo se copia e se imita, toca a tentar seguir esse estrelato com meia dúzia de linhas de trampa, ou de umas dezenas de gralhas numa centena de palavras. Mas, a arrojada gosta. E lá aparecem os habituais ovos estrelados.