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afonsonunes

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Isto cheira-me a desculpa de alguém que sabe que não manda. Mas deixa-me uma dúvida e a pergunta: e se mandasse? Obviamente que quem assim se manifestou, no mínimo quis dizer que não lhe atribuíssem culpas pelo facto de a polícia não ter permitido transgressões a determinações superiores.
Isto depois de pouco antes ter feito um apelo aos seus fiéis seguidores para que respeitassem escrupulosamente essas mesmas determinações oriundas das entidades que superintendem na saúde. Acrescentou depois que terá muito gosto em ver que os seus procedimentos e desejos antigos voltassem a ser o que eram.
É óbvio que ninguém manda na polícia ainda que haja quem julgue ter o direito de a ter sempre do seu lado, mesmo quando a legalidade é atropelada. E quando a polícia não deixa mesmo que mandem nela, lá vem a lamuria de sempre das vítimas de um poder usurpador. E o seu ego não tolera que, seja quem for, lhes trave o orgulho ferido.
Infelizmente o país só tem duas regiões autónomas. Mas tem aspirantes a serem presidentes da sua região continental. E então não aceitam, por exemplo, que a capital do país, tenha o governo desse país, que tenha órgãos de soberania instalados no seu seio, que tenha infra-estruturas cuja dimensão e importância tenham âmbito nacional.
É a ciumeira tradicional de quem quer ter todos os direitos do mundo mas não tolera que lhe exijam obrigações. Porque há, por exemplo, presidentes de câmaras municipais que se julgam reis nos seus domínios, quando se trata de poleiro, de decisão de interesses nacionais ou da distribuição de recursos para o país todo.
Há pois uns senhores que não mandam na justiça, mas recorrem a todos os meios para a controlar. Não mandam no desporto, mas têm as suas máfias organizadas para o subverter. Que não mandam na comunicação social mas conseguem infiltrar nela uma quantidade de equipados que lhes garantem uma total subserviência.
O poderio de tal sistema atingiu uma dimensão tal que o próprio poder do estado está cativo de cidadãos eleitos que sabem que no dia em que quiserem ser independentes verão a sua popularidade ser cilindrada por um vendaval de notícias que lhe abrirão caminho para a renúncia ou verão fechar-se-lhe todas as possibilidades de reeleição.
Tornam-se assim agentes condicionados no exercício das sua funções por uma espécie de medo de cair a todo o momento no abismo da opinião pública, de tropeçar no pé que lhes arma a rasteira, vendo o cartão amarelo ou vermelho neste rolar de uma bola quadrada. Onde até o árbitro e os seus auxiliares se vêem obrigados a engolir apitos e a baixar bandeirinhas.