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afonsonunes

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09 Abr, 2015

EXPERIÊNCIA

 

Ter ou não ter experiência para desempenhar determinadas funções, eis a questão. Agora, a propósito das próximas presidenciais, tem-se assistido a uma discussão interessante. Mas, sobretudo, a um mar de contradições.

Começam a desenhar-se as mais variadas hipóteses de candidaturas. Os que não interessam, não têm experiência política. Talvez para os mesmos que não se têm cansado de culpar os políticos experientes de erros fatais.

Com alguma razão, critica-se a continuada inevitabilidade de, os cargos de altas responsabilidades serem sempre, desde sempre, ocupados pelos mesmos protagonistas. Saídos, invariavelmente, dos mesmos partidos.

Partidos e políticos aos quais se atribui a responsabilidade, e a culpa, pelo atual estado do país. Logicamente, tem-se falado e escrito muito, sobre a necessidade de mudar tudo, mas mudar com gente não comprometida.

Ora, aqui é que está, parece-me evidente, um grande erro de análise. Se o que temos tido, não só não serve o país, como o tem conduzido para o caos do presente, então essas experientes pessoas devem ficar de fora.

Mas, não ir atrás daqueles que pensam que só há um responsável, seja ele pessoa ou partido. Esse erro é mais fruto de má-fé, que falta de inteligência ou de experiência analítica. Eu diria que é estupidez natural.

Temos em funções, um dos mais ‘experientes’ políticos da era da democracia. O mais alto responsável que ocupou cargos de topo durante mais tempo. No entanto, é hoje o mais contestado de todos os tempos.

São muitos os políticos de todos os governos que não se livraram da fama de se terem governado a si próprios. Pelos vistos, essa experiência não é a que interessa para a renovação do país. Embora interesse a alguns. Óbvio.

A experiência política, a todos os níveis da administração, quando exercida durante longos anos, só se tem revelado, quase sempre, um amontoar de vícios e interesses que criam castas de beneficiários de difícil de extinção.

A entrada de gente limpa será, em princípio, a melhor garantia de isenção. Sobretudo na escolha de pessoas que vão decidir quase tudo. Porque a administração pública tem de ser limpa da base até ao topo da pirâmide.

A este nível de candidatos a eleições, o que é imprescindível é o seu passado descomprometido de ligações curvilíneas. É o seu caráter não dominado pelo vil metal. É o seu sentido de justiça social. É ser culto.

Agora reparo que me esqueci de lhe juntar, ser inteligente. Mas, foi de propósito. Inteligentes, todos são. Alguns até demais. Portanto, deixemos estes com os experientes. E que todos obtenham já uma ótima reforma.