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afonsonunes

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A propósito de falar bem e falar mal, verifico que não entendo como é que há gente que fala tão bem, na rua, nos salões, nas reuniões, nas televisões e em todas as ocasiões, mas até parece que essa gente leva isso tudo como se estivesse permanentemente em diversões.
E então vem-me à ideia aquela coisa que o povo diz, mas por palavras minhas, que é, vozes de um animal muito simpático não chegam ao céu.
Obviamente que não estou a insinuar que toda essa gente se comporta como esse simples e modesto animal. Não, é apenas uma imagem de quem não consegue dar boas palavras, pelo menos iguais àquelas que houve por esse país fora. E dentro desse país, obviamente.
Porque a ciência do falar é como a sapiência do ouvir. Há quem só oiça o que lhe convém, tal como há quem só diga o que lhe interessa. E então, quando os microfones aparecem de todo o lado e as perguntas brotam de bocas que albergam línguas pouco limpas, o circo está montado mas as palhaçadas florais não mudam nada de nada.
De boas intenções está o inferno cheio. Mas as boas intenções, se existem, estão muito escondidas e eu não as entendo, melhor, não consigo descortiná-las. Sobretudo, quando vindas de quem tem tudo para fazer-se entender, mesmo por quem, como eu, que entende muito pouco de quase tudo.
Talvez porque já tenha as orelhas entupidas com tantas patacoadas estúpidas em jeito de conselhos filosóficos que não entram num ouvido e saem por outro, porque o circuito auditivo está interrompido e o senso cognitivo já não consegue absorver, por razões igualmente não entendíveis. As palavras são como o vento que as leva e nunca mais as trás de volta. Ao menos para certificar se serviram ou não, para alguma coisa.
Já pedi ao Senhor que me informe se os animais que não zurram também vão para o Céu. Ainda estou à espera de resposta.

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