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afonsonunes

afonsonunes

26 Jan, 2015

FOGO DE VISTA

 

Tinha mesmo de vir ao Syrisa. Mas começo por realçar uma frase histórica, irrevogável e inteligentíssima de um repórter da SIC num direto de ontem de Atenas. Ei-la: ‘O Syrisa morreu na praia…’

Para o entendido profissional, a frase era, ou foi, muito adequada, pois disse-a quando já só faltavam dois deputados para haver maioria. Morte certa!... Comprova-o, o facto de o novo PM já ter o seu governo.

Paciência!... É o que temos. Mas também temos desde ontem ao fim da tarde, uma infinidade de Syrisas. É caso para dizer que já são todos Syrisas. Salvo seja! É de crer que, os que ainda não o são, vão sê-lo.

Apesar disso, é evidente que não temos nenhum Alexis Tsipras. Nem nenhum, simplesmente Alexis, e muito menos, um inconformado Tsipras. É fácil formar um partido, o que é difícil é ter um líder forte.

Obviamente que quando digo forte, não me refiro a forte em bazófias, em ignorâncias, em demagogias, em mentiras, em poderosas imbecilidades. Estamos cheios de poderosos que são inúteis fraquezas.

Foi na Grécia antiga que nasceu esta coisa chamada democracia. Que se tem vindo a perder a cada dia que passa. Surgiu agora a possibilidade de a Grécia mostrar ao mundo que a democracia já não pode morrer.

Especialmente nesta Europa que já teve fama de ser um bom exemplo de democracias. Tendo em conta as aberrações políticas dominantes, não é certo que este movimento nascente chegue a ver a luz do dia.

Fica no entanto no ar, o perfume de uma nova esperança. Tal como foi o perfume da nossa revolução dos cravos. Que hoje está praticamente diluído na poluição, exaustivamente soprada por certos democratas.

Podem passar a soprar menos mas, certamente que não vão deixar de respirar. Pelo menos de um momento para o outro. Contudo, o tempo tudo leva e o tempo tudo traz. É preciso, é tempo. Mas, é inevitável.