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afonsonunes

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15 Jul, 2015

FOI POUCO, CLARA!

 

Em contrapartida, foi muito, Passos! Já quase todos estávamos à espera deste festival de passadas. Mas ele surpreende-nos sempre por conseguir ir além do que se espera dele. Enfim, ele é um ótimo programa.

Clara já devia saber, e sabia com certeza, que não devia ir além do programado. Mesmo assim, Passos não deixou de lhe lembrar que o seu programa era ainda mais exigente. Sobretudo, ali, na sua querida SIC.

Passos, aos costumes, disse nada. Como de costume, respondeu a tudo o que lhe foi perguntado, com a habitual ladainha de socialismo. Se lhe tivesse sido perguntado se ele gostava do PS, ele diria, a Clara, que sim.

Mas, Clara não quis sujeitá-lo a tão fácil desafio. Que lhe mereceria de imediato o reparo: a senhora jornalista está a insinuar que eu sou rancoroso? Se pensa tal, também pensa que os portugueses me detestam.

Depois, lá teria a Clara de se justificar pormenorizadamente sobre o que não disse, mas que Passos pensou que Clara pensou. O que, nem um nem outro, poderiam pensar, era fazer perguntas tipo Judite, a António Costa.

Se tivesse sido eu a fazer perguntas a Passos, tê-lo-ia confrontado com o facto de haver falta de camas nos hospitais e haver demasiadas camas vagas nas prisões. Parece que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Mas, sei que Passos teria respondido que, no seu partido e na sua maioria de governo, rejeitam ter uma cela. Preferem ficar presos a uma cama num hospital. Como são em número muito maior, cria aqueles desequilíbrios.

Depois, também há a questão funcional destas coisas. Ser doente é ter prioridade de escolha. Ter uma cela é ser obrigado a ficar enjaulado, mas é sinal de ser saudável. Permanecer acamado é sinal de doença grave.

Mas, como é evidente não fui eu que fiz as perguntas. Portanto, também não tinha nada que estar aqui a inventar respostas. Clara perguntou claramente. Passos respondeu com socialismos. O seu único programa.