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afonsonunes

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30 Jul, 2015

FUGITIVOS

 

Estive a espreitar umas pedaladas da Volta a Portugal em bicicleta e apercebi-me de algumas fugas abortadas. E isso, apenas isso, bastou para que me viessem à ideia as manigâncias que outras fugas estão a permitir.

Dentro dessas, os perigos de fuga são pau para toda a obra. Há os que nunca pensaram em fugir, os que sempre pensaram em fugir e os que deviam pensar em fugir. Três casos, três perigos, três quebra-cabeças.

De repentemente, logo me veio à ideia que Sócrates e Salgado nunca pensaram em fugir. O primeiro foi obrigado a fugir para Évora, o segundo foi obrigado a fugir para casa. Dois casos, três quebra-cabeças na justiça.

Na PGR, no DCIAP e no MP. Eu sei perfeitamente que são daquelas dores de cabeça, ou quebra-cabeças que, embora quebrando muita coisa que nunca mais se conserta, tem a vantagem de passar com uns comprimidos.

Depois, o meu pensamento poisou naqueles que sempre pensaram em fugir. Uns tiveram a sorte de ser bem aconselhados a fugir e fugiram mesmo. Outros, continuam à espera que os conselheiros os empurrem.

A seguir, temos os que já deviam estar a pensar em fugir, antes que fiquem impedidos de o fazer. Daqui a uns meses, podem já nem sequer concretizar para si, os conselhos que tanto recomendaram aos fugitivos.

E, se bem se pensar, devemos estar perante a iminência de uma outra onda de fugitivos. Quer-se dizer: de emigrantes. É mais fino. Os que constituem esta nova vaga, podem efetivamente ser emigrantes de luxo.

Portanto, se aqueles para quem estas fugas são um perigo, não entrarem nesse surto migratório, vão ter enormes quebra-cabeças. É que nem com comprimidos se safam. De perigos de fuga, passam a perigosos fugitivos.

Contudo, estes serão uma minoria de entre todos aqueles que, tendo sido conselheiros de fuga, vierem a sentir que o chão português lhes foge debaixo dos pés. É óbvio que nunca quererão ser Sócrates ou Salgado.

O mundo dá muitas voltas e os países dão muitas cambalhotas. Os grandes senhores das grandes, discutíveis ou indiscutíveis decisões, não fogem ao destino dos bons e maus julgamentos. E dos perigos de fuga.