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afonsonunes

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18 Mar, 2015

HÁ IR E VOLTAR

 

Há ocasiões em que me apetecia dizer alto e bom som, para que as nuvens me ouvissem: olha, vai e se tiveres um bocadinho de bom senso, não voltes. Mas, nem baixinho, eu teria a lata de dizer isso. A ninguém.

Pela simples razão de que, para eu pensar que tenho razão, tenho de encontrar alguém que eu pense que a não tem. Depois, penso cá para comigo que há sempre gente como eu: que nunca desiste. Vai, mas volta.

A diferença entre essa gente e eu, é que ela foge quando a luta aquece, mas volta logo que lhe parece que ela esfriou. Ou que já parou o tempo suficiente para esquecer o que disse antes de parar. Eu não parei.

Obviamente que parar e mudar não deslustra ninguém. Mas, tal como no mar ou nas grandes viagens, há ir e voltar. Quando se vai, é natural que se vá carregado com muita coisa. Mas, quando se volta, deve vir-se aliviado.

Principalmente, da tralha que os novos ares foram permitindo alívios de toda a ordem. Sobretudo daquela carga, talvez sobrecarga, que foi acumulada ao longo de muitos anos a olhar sempre para o mesmo lado.

E, por que não, a olhar sempre para as mesmas pessoas. Quando não, a olhar sempre e exclusivamente, para a nossa própria pessoa. Ora, o mundo tem pessoas muito diferentes umas das outras. Todas pessoas.

Quando se foge, ou se vai, carregado com preocupações motivadas pelos antagonismos que se não conseguiu vencer, é preocupante que se volte exatamente como se partiu, ou se fugiu. Para acirrar os mesmos defeitos.

Longe de mim a ideia de que quero fazer aos outros, o que alguns me querem fazer a mim. Convencer-me de que estou errado. Até posso estar, mas não apelo a que pensem como eu. Nem dou conselhos a ninguém.

É que já ultrapassei aquela fase de receber conselhos de maus conselheiros. Oiço-os, mas entram por um ouvido e saem pelo outro. Nestes períodos, então, parece que há quem volte só com essa missão.