Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Marcelo aprovou o estatuto dos gestores públicos, diz-se, com recados ao governo. Em causa os vencimentos dos gestores da CGD. Há quem veja nessa aprovação, um ror de recados à Cavaco à proposta do governo. Nada de mais errado. Marcelo apenas suporta os argumentos do executivo.

Costa tem o caminho aberto para decidir quanto vão ganhar os administradores da CGD e quais as responsabilidades que lhes vai exigir. Marcelo apenas lembrou princípios éticos que em nada colidem com aquilo que o governo deliberou para a banca pública. O resto virá depois.

Mas, há quem não saiba ler e veja em tudo palavras que não estão lá. Aliás, é bem evidente que o governo fica com cobertura presidencial para decidir em favor de uma equidade que, se fosse apenas da sua autoria, não faltaria quem o acusasse de estar a agir contra a concorrência nas instituições bancárias.

Mau seria se Marcelo fosse um continuador dos recados à Cavaco. Recados que apareciam sempre fora de tempo e num contexto completamente desintegrado da imparcialidade da normal função presidencial. Marcelo antecipa-se a interpretações precipitadas. Cavaco precipitava-se com recados sempre para a mesma morada.

Como disse Jorge Sampaio há dias, Marcelo virá a ter tempos de mais complicações que os dos seus primeiros meses de mandato. Mas, por ora, vai de vento em popa. Obviamente que ninguém espera um mar de rosas para o governo atual e para o atual presidente. Mas o entendimento mútuo, sem recados de intenções disfarçadas, é um bom augúrio.

Daí que os que buscam semelhanças entre os dois estilos presidenciais andem numa fona para ver se encontram algum alívio para as suas dores de frustrações ainda mal digeridas. Mas há que ter calma. Há sempre quem esteja na mó de baixo e quem esteja na mó de cima. E não há nada de definitivo nessas mudanças de mó.

Ninguém imaginaria Marcelo no meio das multidões no desassossego dos tempos que correm, tal como ninguém imaginaria Costa aos abraços aos seus críticos nas altas reuniões de Bruxelas. Marcelo e Costa, por enquanto, não têm razões para deixar de ir ao Euro de França, onde os atentados terroristas não saem da cabeça dos franceses.

Cavaco, Passos e Portas fariam o mesmo? Obviamente que não. Há uma diferença muito grande entre estar no meio do povo e fugir sistematicamente do povo. E essa grande diferença está a fazer o seu caminho e a causar muitos engulhos a muita gente.

Costa esteve no apuramento de Portugal para as meias finais do Euro2016. Marcelo estará em Lyon na disputa de um lugar na final. À falta de melhor, Passos devia estar hoje a ver o embate entre a Bélgica e o País de Gales. Contribuiria assim para informar o governo, a presidência e o selecionador, se não seria melhor marcar falta de comparência a Portugal no encontro que se segue. Construtivamente…