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afonsonunes

afonsonunes

22 Dez, 2015

Ideologicamente

 

Tudo o que a política tem de bom e de mau é fruto de ideologias. A ideologia, penso eu, deve ser uma coisa assim, como que levada da breca, pois quando se fala nela, até parece que é uma coisa terrível, que só afeta os maus políticos.

E até parece que as pessoas de bem e que não se metem nos meandros da política, não têm nada que ver com ideologias. Como se quem se insurge tanto com a ideologia dos outros, não estivesse a abusar da sua própria ideologia.

É que a ideologia pode ser uma doença. Mas tanto pode ser uma doença da esquerda como da direita. O que não se coaduna com certos discursos de altos responsáveis. Sobretudo, quando se discutem decisões importantes para o país.

Cavaco Silva falou agora das desgraças da governação ideológica. Para ele, essa governação termina sempre derrotada, ao confrontar-se com o realismo, pois o pragmatismo acaba sempre por se impor. Tento interpretar o que foi dito.

Acabamos de sair de um período de quatro anos em que se aplica perfeitamente a essa governação, a designação de ideológica. Que acabou por se ficar pelos quatro anos, pois terminou liquidada pelo referido pragmatismo.

E acabou mesmo mal, para mal dos que lhe sofreram na pele as consequências de tantas ofensivas a uma ideologia mal interpretada e realizada da pior maneira. E isso não é ideologia. É teimosia que vai sempre dar ao fracasso.

Há palavras que, de prático não têm nada, em relação ao que se pretende dizer. Portanto, o pragmatismo, o realismo e o idealismo, cada qual tem o seu. E não adianta andar a tentar disfarçá-los com discursos para semear o ilusionismo.    

Ideologicamente, não há nada pior que falar da ideologia dos outros sem olhar à nossa. As ideologias respeitam-se. O que já não acontece com a virologia com que se faz crítica ou ataque àquilo que se não quer dizer de forma clara e direta.

Quando se fala de um banco é preciso muito, muito cuidado. Mas quando se fala de ideologias é preciso muito, muito, muito cuidado. Direi até que sempre que se fala, é preciso ponderar bem o que se diz e só depois de o ter pensado.

Principalmente nesta época, tradicionalmente dita de mais cordialidade, bem se podia ouvir outro realismo e outro pragmatismo. Mas, o Natal não é aquilo que toda a gente quer. É sempre como cada um de nós sentir a sua proximidade.