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afonsonunes

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13 Abr, 2015

Indefinições

 

Tem-se falado muito nas indefinições de Costa. Mas ele é, de longe, o homem mais predefinido da nossa praça política. Com ele tudo tem de ser pão-pão, queijo-queijo. Não pode haver ‘timings’ para nada. Tudo dito, já.

Portanto, Costa tem de dizer já, se vai ou não ganhar as eleições. Sem rodeios de espécie alguma. Tem de dizer mesmo, já, se sim ou não. E se ganha com maioria absoluta, ou não. E dizer já, quem é o próximo PR.

Se Passos e Portas fossem o foco das suas polémicas, imagine-se onde é que eles já estavam. Tem-se falado muito de quem anda ao colo e de quem. Mas podia falar-se de quem anda metido sob as saias das mães.

Portas diz que não sabe se vai governar ou não. Mas ainda ninguém lhe perguntou nada. É evidente que ele já sabe, mas não quer dizer. E ninguém o chateia para se definir. É o único que só fala quando quer.

Passos já sabe que vai perder as eleições. Está clarinho, na palma da mão. Mas ele não confirma de vez, essa evidência. Logo, também não diz o que vai fazer depois de Outubro. E devia dizer já. Senão é mais um indefinido.

Jerónimo de Sousa então, é o mais definido de todos eles. Já sabe que vai ganhar as eleições e não se coíbe de o dizer com toda a clareza. E vai ter a presidência da sua república privativa. É assim. Sem papas na língua.

O rodopio mediático, não é exclusivo das presidenciais. É um nervosismo que já se sente em todos os ministros. Do primeiro ao último. Que afeta paizinhos, mãezinhas, tios, tias, primos, primas, e até os amigos e amigas.

Como são todos crentes muito convictos, um dia terão de confessar os seus pecados. Portanto, fariam bem em redobrar já as idas à missa. Antes de começar a bater com a mão no peito. O perdão vai ser muito difícil.

Está provado que o país anda mesmo indefinido. Até parece aquele tempo em que os miúdos brincavam às escondidas. Aliás, muitos crescidos ainda brincam, só que ficam tão bem escondidos que ninguém sabe deles.

Mas, se o país anda indefinido o seu presidente está mais que definido. Ele sabe tudo e já escreveu tudo. Até já leu tudo o que escreveu e sabe-o de cor. Parte do princípio que o país também leu. Daí que esteja calado.