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afonsonunes

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20 Out, 2015

Inegociável

 

Costa não valia, e se calhar ainda não vale, um pataco furado. Mas, não sei por que carga de água, agora atingiu a craveira máxima a que alguém pode aspirar. Não tem preço. É, simplesmente, inegociável no mercado.

Mesmo para quem o mercado é o santuário de todos os negócios e de todas as negociatas. Pois é precisamente de negociatas que se trata neste momento. Provavelmente, só até amanhã. Depois, mercado encerrado.

Os compradores já ofereceram quase tudo para terem Costa nas suas mãos. Portas já prescinde de ser vice e voltar a ser só o ministro do tempo do irrevogável. Até parece que está o negócio quase fechado. Quase…

É só mais uma forcinha. Vá lá, Pedro, ofereça também o seu lugar. Mas isso tem de ser hoje, pois amanhã já não há nada para ninguém. Negócio, obviamente. Claro que sem Costa, haverá sempre outras negociatas.

Por exemplo, em lugar de perderem tempo com um namoro a três, onde haveria sempre um infiel, podem negociar Assis ou Sousa Pinto, ou ambos, pois ficaria muito mais barato e o grau de fidelidade estava assegurado.

Além disso, poderiam ainda beneficiar de um bónus de negócio facilitador. Levando os dois, conseguiriam Seguro a título totalmente gratuito. Três ótimas aquisições e três competentíssimos e bons amigos totalmente fiéis.

Tudo feito hoje, dia do poeta. No caso, dia dos poetas. Cantadores daquela saudosa, mas reconfortante, poesia lírica do período arcaico em que a flauta e lira tinham o exclusivo do acompanhamento. Romântico.  

Vozes divinais que tanto temos recordado nestes últimos dias. Haverá quem diga, não há direito. Pois não, precisamente porque há tortos. São direitos, Cavaco, Passos e Portas. São tortos, Costa, Jerónimo e Catarina.

Hoje, ainda não é o dia. Mas já se sabe quem dá o seu lugar e quem pode ainda vir a oferecê-lo. Também já sabemos que Jerónimo não dá o seu lugar a ninguém. Já Catarina, poderá ceder o seu, a Passos ou a Portas.

Julgo não ter assustado ninguém com esta poesia trágica. É que existe realmente a hipótese de Catarina avançar e Passos e Portas recuarem. Mas só há um lugar para dois. E, para juntos, já bastou. É só uma hipótese.

Quase ia apostar que Cavaco, a esta hora, está a descarregar o seu rol de hipóteses a Passos Coelho, em Belém. Esta hipótese que apresentei deve estar lá, mas com os lugares trocados. Com o inegociável já comprado.