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afonsonunes

afonsonunes

07 Jul, 2019

Intelectualmente

Sempre a questão de quem ganha muito e quem ganha pouco. Ou de quem já ganha muito mas quer ganhar sempre muito mais. Não olhando a meios para conseguir passar por cima de toda a lógica social.

Até porque são esses funcionários ricos de argumentos que se mostram muito pobres na compreensão de que não pode haver chantagens de qualquer espécie para a obtenção de privilégios, benesses ou regalias que ofendem quem não pode usar os mesmos argumentos para os acompanhar.

De um modo geral, os funcionários públicos são acusados de ganhar muito e fazer pouco em relação aos privados. Porém, tal como nos privados, há os que ganham principescamente e os que não passam do salário mínimo. Há funcionários que ganham mais que o primeiro-ministro e até que o presidente da república.

Somos quase diariamente surpreendidos com notícias de discrepâncias aberrantes. Por exemplo, um gestor que apresente resultados escandalosamente negativos tem de ganhar bem porque é altamente qualificado. Um magistrado tem de ganhar muito para não ser corrompido, mesmo que as suas decisões na justiça deixem muito a desejar. Um militar tem de ganhar acima da média, por ter profissão de risco elevado, mesmo que não saia do seu gabinete no quartel.

Seria natural que, com tais pressupostos, não podia haver má gestão, nem más decisões judiciais, nem guerras perdidas. Mas há. E sem grandes surpresas, até por aí passa muita da corrupção de que tanto se fala agora. Nem sempre sem visões distorcidas do problema.

Mas, entre eles, qual deles tem de ter mais competência no desempenho das suas funções. Qual deles corre mais riscos ou desgaste na sua saúde e na sua vida. Qual deles tem de despender mais sacrifícios ao longo da sua carreira. E qual deles é mais penalizado quando fica muito aquém do seu desempenho esperado.

Quanto a responsabilidades, há muita gente que ganha bem, que tem muito menos responsabilidades que muitos modestos funcionários que, ao contrário daqueles, se cometerem um erro qualquer, são prontamente julgados e condenados.

Há ainda uma coisa muito importante que distingue os pobres dos ricos. Até podem ser intelectualmente semelhantes em termos de dotes genéricos. No entanto, há os intelectualmente honestos e os intelectualmente desonestos.

Obviamente que quem faz estas avaliações são os que toda a gente conhece como intelectualmente hipócritas, quando não hipocritamente mentirosos. Para não falar daqueles que nem sequer têm qualquer vestígio de intelectualidade.

Não sei se sonhei com qualquer coisa relacionada com gente intelectualmente desonesta. Se não sonhei, não faço a menor ideia de como acabo de escrever sobre coisas destas.

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